sábado, dezembro 31, 2011

Acerca do post anterior: primeiro amor.

Há uns dias passaram-me este excerto, do Miguel Esteves Cardoso. Confesso que nunca li nada do autor, mas já adicionei este livro à minha wishlist. Identifiquei-me mesmo com tudo o que ele diz (vá, tirando a parte em que ele resolve fazer comparações com electrodomésticos!), e é verdade quando dizem "não há amor como o primeiro", e é verdade que só quando termina e amenizamos a alma conseguimos perceber plenamente toda a grandiosidade do que vivemos. 
O meu primeiro amor começou aos 15 anos e só terminou de vez aos (quase) 19. E foi como o que ele descreve, com direito a tudo, com direito a todo o descontrolo que ele descreve, para o bem e para o mal - "A força do primeiro amor vem de queimar – do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes»."
Depois do primeiro amor, todos os outros amores são mais calmos, mais serenos, mais planeados, mais cuidadosos...porque ninguém está disposto a voltar a sofrer como se sofre depois do fim do primeiro amor! Mas acho que nem seria possível - "É o único que estraga o coração e que o deixa estragado."

E pronto, posto isto, é impossível não recordar com carinho o primeiro amor... o meu, felizmente, e mesmo que no início parecesse impossível, continua a fazer parte da minha vida. Estamos juntos poucas vezes, mas quando estamos, a conversa desenvolve-se com uma tal fluidez como se nos víssemos e falássemos todos os dias! E tenho orgulho nisso, que tenhamos conseguido alcançar esse patamar, porque foi um primeiro grande amor que acabou tão mal como só ele, mas que por ser tão grande e por nos ter feito crescer juntos, e depois de meses de ressaca, só poderia deixar um carinho e uma amizade inigualáveis.


Sem comentários:

Enviar um comentário