terça-feira, janeiro 10, 2012

Uma questão de imagem.

Os meus amigos e as pessoas que me vão conhecendo vêm em mim uma pessoa de ferro. Eu aguento tudo, não há mau momento que não ultrapasse. Vêm em mim uma pessoa pouco dada ao romance. Eu não gosto de lamechices, não há ninguém que  me parta o coração e eu não me apaixono a sério por ninguém. Vêm em mim uma pessoa que está sempre bem-disposta. Eu não falo mal a ninguém, estou sempre com um sorriso. Esta é a ideia que os meus amigos e as pessoas que me vão conhecendo têm de mim. E é a ideia que, efectivamente, eu transmito.

Não sei se realmente aguento tudo, mas tento! Em Novembro aconteceu uma coisa horrível na minha família. No dia a seguir foi a primeira vez que a J. me viu a chorar. Um dos comentários dela foi precisamente "Mas como é que é possível? Tu estás sempre tão alegre!" E é verdade, estou mesmo! Mas essa ideia que as pessoas têm de mim levou a que nas semanas seguintes toda a gente que tocava no assunto perguntasse como é que estava a minha mãe, o meu pai ou a minha irmã. "Ninguém" me perguntou como é que eu estava porque assumiam que estava bem, como sempre. Mas naquela altura tudo o que me apetecia era entrar em colapso também, deixar de ter forças para suportar tudo! Mas não podia ser porque depois ninguém ia cuidar das coisas e portanto continuei a dizer "Está tudo bem"!
Em relação ao romance, não, não tenho um coração de ferro. Ainda continuo a pensar no H. todos os dias apesar de o tempo em que estivemos juntos se resumir a pouco mais de um mês e já lá vão quatro meses passados. Não o amo, nem estou completamente apaixonada por ele, nunca estive, mas tenho saudades do que vivemos, da intensidade com que o vivemos, de como nos dávamos tão bem e de como estávamos sempre em sintonia, como ele dizia. Na semana passada ele chamou-me "menina de ferro". Mas já me fez saber que sabe que também sou vulnerável e não tenho de o esconder. Mas escondo, e nem pensar em dizer-lhe que tenho saudades. Afinal, se não continuamos juntos foi por estarmos longe. E isso não mudou nem vai mudar nos próximos tempos diga-se o que se disser.

Isto tudo para dizer nem sempre somos tão fortes como fazemos crer. Mas sem dúvida que esta postura me tem ajudado muito a ultrapassar maus momentos porque se acreditar que tenho força, ela acaba por aparecer. E se estou sempre com um sorriso, como diz a I., é porque sinto vontade de sorrir. Tenho tido momentos muito difíceis, mas nunca ninguém me viu de mal com  a vida, nem me ouviu dizer que sou infeliz. Não sou! Os momentos maus fazem parte e, de resto, depois são sempre substituídos por algo de bom!:)

E nisto, já enviesei toda uma imagem que poderiam vir a ter acerca de mim!

10 comentários:

  1. Identifico-me com as tuas palavras (: Já fui como tu, aliás, já fui mais como tu, aparentemente muito forte, sempre de bem com a vida, completamente anti lamechices. Mas depois apaixonei-me e logo de seguida desiludi-me e "amoleci", depois deixei que começassem a entrar no meu mundo, a abrir-me, a mostar mais de mim... Mas o sorriso constante e o aparentemente sempre de bem com tudo e todos mantém-se. Estou habituada a ser a mais forte, aquela com quem ninguém se preocupa e que quando não está a rir logo alguém pergunta "O que se passa?". Mas a verdade é que às vezes também preciso que me ouçam, que me perguntem como estou e nem sempre se lembram que não sou de ferro. Enfim ((:

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  2. o mau de sermos assim é que normalmente pensam que nós estamos sempre bem e nunca se lembram de perguntar se precisamos de alguma coisa..
    Mas por um lado também é bom ser assim, é um bom escudo :)

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  3. Palco do Tempo - Obrigada!:)

    Amelie - Sempre é melhor ser assim como nós do que ser uma pessoa demasiado frágil, não concordas?:)
    Mas comigo as coisas aconteceram ao contrário. Eu já tive a minha fase super romântica e "lamechas" (quem me viu e quem me vê!) mas acabei com uma enorme desilusão e agora sei manter o tacto e os pés no chão com mais facilidade. O que não invalida que saiba aproveitar os bons momentos quando eles aparecem! Apenas o faço com mais sabedoria, acho eu pelo menos! :)

    Rosa_chiclete - tens toda a razão!:]

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  4. Ao ler as tuas palavrinhas lembrei-me logo desta citação: "Apresso-me a rir de tudo com medo de ser obrigado a chorar!".. (Força! :))

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  5. Jude: és o meu reflexo! =O
    A sério! Logo no primeiro parágrafo pensei que me estivesses a descrever. Os meus amigos ainda só me viram chorar uma vez também. Não sou de gelo como pensam. Aliás, ultimamente esforço-me para mostrar que não mesmo. Porque a minha postura era tão rígida que me convenci a mim mesma que eu era assim. Até o meu irmão morrer e eu repensar todos os meus valores. Pessoalmente, orgulho-me muito de ter mudado. Porque ser de gelo/ferro dói mais que ser sensível. Dói que recrimem e nos chamem a "insensível", a "pedra" e até que duvidem da nossa índole. Por isso mudei e ainda bem. Calculo que também sintas tudo isto.
    Mas quanto o amor, como tu dizes, não estás apaixonada. E digo-te mais: será que sentes mesmo saudades do H.? Ou serão saudades dos momentos que viveste com ele? Há momentos tão bons que valem por si próprios.

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  6. Raven: Sim, sinto o mesmo. E lá está, senti ainda mais quando também aconteceu algo grave com a minha família. As pessoas a quem me revelo mais sabem que também tenho as minhas fraquezas, que não aguento tudo tão serenamente como faço crer. Mas também tenho medo de revelar tudo o que sinto e me tornar frágil demais, ao ponto de em vez de ser eu a preocupar-me com a minha família terem de ser eles a preocupar-se comigo. Não penso que fosse acontecer, mas sei que tenho de chegar a um meio termo.
    Em relação ao H., acredita que já me perguntei isso. Se tenho saudades dele ou dos momentos que passámos. Ainda não consegui chegar a uma conclusão. Por um lado sei que gostava de voltar a passá-los, mas por outro não sei se realmente ele é 'o tal'. Já aconteceram muitas coisas depois disso e a distância entre nós é cada vez maior. Isso não me afecta por aí além, principalmente quando estou ocupada e nem penso nele. É por isso que sei que não estou apaixonada, mas que tenho saudades do verão passado, tenho!:p

    Obrigada pelo teu comentário, fez-me pensar!

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  7. O meio termo... boa sorte! Porque eu não consigo. Nunca consegui, é uma falha enorme que tenho. Admiro quem consegue, de verdade. Comigo ou é sim ou não, não existe o talvez. Tenho um espirito muito inconstante. Não gosto nada de ser assim.
    Quanto ao H, passaram muito pouco tempo juntos para saberes se ele é o "tal". Provavelmente não é. Os amores de verão têm o inconveniente de serem tão giros e intensos que nos baralham os fusíveis. Por isso sempre desconfiei quando começava a sentir coisas do nada, uma chama repentina. E geralmente o que me aparecia rápido, desaparecia ainda mais rápido. Conselho: confia nas coisas que demoram a surgir, as que vão crescendo.

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  8. Nem os mais fortes conseguem se manter firmes e manter sempre um ar feliz, por vezes os problemas da vida levam-nos a deixar cair a "armadura"...Espero que o problema já esteja resolvido e esteja tudo bem ;)

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