quinta-feira, janeiro 12, 2012

Uma questão social.

Já há algum tempo que pensava nisto, e um o post da Morning Sun, aliado à matéria do meu exame de segunda-feira, levaram-me a querer escrever sobre isto.

Na matéria que estudei, havia uma autora que defendia que existe uma nova fase nos ciclos de vida das pessoas (principalmente nos países desenvolvidos), desencadeada por várias alterações sócio-demográficas, como o envelhecimento da população, a queda da natalidade, o facto de as pessoas se casarem cada vez mais tarde ou deixarem de depender dos pais cada vez mais tarde. Essa fase, entre os 18 e os 20 e muitos anos, seria uma fase marcada pela experimentação. O individuo está numa fase de independência maior do que teve na adolescência, mas menor em relação às responsabilidades que vai ter enquanto adulto. Dizia a autora, que esta era uma fase marcada pela experimentação - mudam-se percursos académicos, mudam-se empregos, mudam-se parceiros amorosos,...até finalmente se encontrar uma estabilidade e se estar pronto para assumir plenamente a vida adulta com tudo o que ela implica.

A questão é que o post da Morning Sun mostra o que eu já pensava antes de ler quer o post quer a teoria da adultez emergente. A verdade é que as condições sócio-culturais que vivemos hoje em dia impedem que as pessoas possam de facto encontrar a tal estabilidade porque impedem que ter um curso, ter um emprego na área, e ter um namorado (a) aconteçam os três, ao mesmo tempo, sem nenhuma cedência.

Eu e o H. falámos sobre isto na noite em que decidimos mantermo-nos afastados. Quando ambos estão a tirar um curso superior e ambas as áreas são difíceis no que diz respeito ao mercado de trabalho, um casal nessa situação chegará a um ponto em que, para poder manter-se unido, um dos dois terá que ceder em relação à sua carreira. Porque é muito difícil os dois conseguirem arranjar um emprego dentro da sua área na mesma região. E aí gera-se uma situação ingrata, porque se andamos em investir em algo que nos realiza não devemos ter que ceder. E depois há a questão: quem é que cede? Eu não gostaria de ceder, mas também não gostaria que cedessem por mim.
É injusto e ninguém deveria ter de passar por isso!

11 comentários:

  1. É triste mas é a realidade de muita gente ter de optar por soluções que não são aquelas que sonhamos. A vida é mesmo assim, nunca é como esperamos e os dilemas aparecem sempre... o nosso maior desejo é sermos felizes, mas para isso é preciso que nos consigamos realizar a vários níveis, o que pode ser difícil. Não podemos deixar de acreditar que conseguiremos de uma maneira ou de outra ter uma vida estável e feliz.
    Obrigada por me citares.
    Um beijo.

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  2. Realmente não é justo. É a eterna questão das prioridades: cada um tem de tentar perceber aquilo em que quer ceder e aquilo em que não cederia nunca.

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  3. Vivemos uma fase ingrata e eu estou mesmo a passar por ela. Estou desejosa por começar a trabalhar e a "construir" o meu futuro, consigo conceber-me perfeitamente a exercer num país que não o meu, porque muito para além das condições de precariedade em que a minha área profissional se encontra mergulhada neste momento, anseio pelo contacto com um país, língua, cultura, pessoas diferentes. Quero fazer voluntariado também, em Bissau/Guiné. Quero tirar um mestrado até aos 30. E a par disto tudo, tenho o G., com quem comecei a namorar na Universidade (clichê fofinho lol)e com quem consigo ver-me nesta vidinha e na próxima (por muito utópica que possa parecer a ideia aos mais cépticos).
    É uma fase ingrata. Ainda dependo dos meus pais e eles com a minha idade estavam casados há 5 meses -.-

    Tocou mesmo na "ferida" o teu post ;)
    **

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  4. Já namoro à 3 anos e pouco e a verdade é que desde sempre disse que gostaria de ir viver para outro país durante uns anos, amealhar, trabalhar no que gosto e conhecer novas línguas e culturas. Ele partilhava da mesma opinião. Somos de áreas totalmente diferentes.
    A uns meses de eu terminar o meu curso surgiu-lhe a oportunidade rara e optima de abrir o seu próprio negócio. Basicamente ele abriu uma porta, mas fechou a que nos ia permitir aos dois sair juntos por esse mundo fora. Não o impedi que o fizesse, nem ele me está a impedir a mim de continuar com o meu plano.
    Quando se ama é assim :) Agora ninguém sabe se as saudades nos vão matar ou se nos vão unir ainda mais. Mas nunca em momento algum olharemos para trás e pensaremos que não fizemos isto ou aquilo devido ao nosso namorado (a) da altura!
    Nunca ponhas o teu trabalho à frente do amor, nem o amor à frente do teu trabalho que tbm é uma paixão para ti. Tenta dividir as 24h diárias pelos dois :))

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  5. Emprego na área (e mesmo sem ser na área) está complicado nos tempos que correm.
    Agora a parte do "um namorado" é assim para o ridícula. É a coisa mais fácil de encontrar, sempre foi, e provavelmente sempre será.

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  6. Tive essa discussão com o meu namorado à pouco tempo. Ele é da opinião que o Amor é a motivação da vida e se deve largar tudo por ele. Mas eu não, concordo contigo Jude. Seria incapaz de largar tudo por um homem e depois viver frustrada. Até porque se não estou bem comigo, não estarei com mais ninguém, de certeza que passaria os dias rabugenta e triste. E largarem tudo por mim?? Nananinanão! Sentir-me-ia culpada. Não desejo aos outros o que não quero para mim.
    Tens total razão! Vivemos tempos difíceis em que a sociedade nos impede de ter vida estável. Creio que no futuro muito pouca gente conseguirá conciliar as várias vertentes da vida e ser feliz.

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  7. É mesmo um tema que dá pano para mangas! Não é fácil conciliar tudo, mas tem de se continuar a tentar. A minha opinião é que as pessoas se conseguem adaptar a tudo. Tal como se adaptaram no passado a outras (muitas) mudanças sociais! Vivemos numa geração que precisa de se reconstruir, não pode contar com os exemplos dos pais porque as coisas são diferentes. Mas como dizem: "What doesn't kill you, makes you stronger!" E a ceder, nunca o devemos fazer em função de outra pessoa.

    duality, esse comentário deixa muito pra pensar. Não percebo como isso possa ser a a coisa mais fácil de se encontrar!:p

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  8. adultez emergente! Já fiz um trabalho sobre isso :)

    eu, apesar de gostar muito da minha área (senão nem me candidatava pra este curso, com a carga de trabalhos que dá), acho que cedia pra poder ficar com a minha pessoa onde quer que fosse. Se fosse essa a solução, eu cedia. E não acho que seja fraqueza ou rebaixamento. Eu estou disposta a fazer sacrifícios por quem tenho ao meu lado e pela minha felicidade. E sei que a minha felicidade passa muito mais por quem tenho ao meu lado do que pelo emprego que posso vir a ter (apesar de ser importante sentirmo-nos bem a nível profissional).

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  9. Isso tem tudo a ver com prioridades, e a resposta a essa questão varia de pessoa para pessoa. Eu ainda estou a meio do curso, mas sei que trabalhei imenso para chegar onde estou neste momento. Tenho 21 anos e sei que é isto que eu quero fazer na vida, e não me imagino a fazer mais nada. Daqui a 3 anos vou ter de escolher uma especialidade, e as vagas variam imenso de cidade para cidade e de ano para ano. Sei que quero Cirurgia Geral e nunca conseguiria deixar de ir para o que quero por alguém que, embora no momento o pareça, eu não sei se é para sempre. Acho que amadureci muito mais rapidamente no que diz respeito à profissão do que diz respeito ao amor, e é mais fácil saber se determinada profissão é a profissão da nossa vida, do que se determinada pessoa é a pessoa da nossa vida. Haverá, com certeza, pessoas em que isto não se verifica. Aquilo que cada um se tem de perguntar é: qual das 2 coisas é que pode ficar para trás sem eu ficar infeliz? É tudo uma questão de grau de certeza e prioridades.

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