segunda-feira, abril 23, 2012

Orgulho de ti.

Não sei se é por gostar de ti. Não sei se é só porque somos amigos e é isso que os amigos sentem uns pelos outros. Nem sei se é só por seres tu e não outra pessoa... Mas hoje, depois de ver a a foto em que a tua cara aparece no meio de mais duas ou três dezenas de caras igualmente felizes, tenho a certeza de que o que sinto é orgulho. Orgulho em ti e, apesar de tudo o que possamos dizer noutras alturas, orgulho em quem te tornaste!

Há quase 8 anos atrás, entravas na minha vida. Éramos tão novinhos, acabados de entrar no secundário. Não me lembro da primeira vez que te vi nem tampouco de como nos tornámos amigos. Lembro-me antes, do dia em que te sentaste ao meu lado, nesse mesmo ano, durante uma qualquer palestra. Lembro-me de como sorriste para mim e de como a minha barriga foi atacada por borboletas em fúria! Lembro-me de a A. me contar que lhe tinhas dito, a ela e ao T., que gostavas tanto de mim que não te importavas que fôssemos só amigos! E lembro-me de, durante um 'furo', num dia de calor, a turma ter decidido atirar balões de água. Um acertou-me e, comandada pelas crises de auto-estima que a idade ordenava, fiquei toda preocupada com o estado do meu cabelo. E nisto, lembro-me exactamente do local em que passaste a tua mão na minha face e disseste 'Ficas linda de qualquer maneira'.
Tudo é tão novo e tão puro quando se têm pouco mais de 15 anos! Pelo menos era-o para nós, e era-o naquela época. Não me arrependo de não te ter dito o quanto gostava de ti, nem de não te ter dito que não queria que fôssemos só amigos. Talvez lamente que nunca o tenhas feito tu... Mas não me lembro sequer de como deixei de 'te gostar'. Penso que é o que acontece quando ninguém consegue dar o primeiro passo, e que isso é o que acontece quando se sente o que estávamos a sentir pela primeira vez. É tudo tão novo que não se sabe como agir e, sobretudo, há medo de agir.
Lembro-me de como ficaste chateado depois de teres visto o J. a roubar-me um beijo no fim-de-semana em Mira. Mas nessa altura já era a ele que pertencia o meu coração. Ele soube dar o primeiro passo e não teve medo de agir. Deu vários passos. E é a ele que cabe o título de primeiro grande amor. Pouco tempo depois, a ingenuidade e a pureza desapareciam. Primeiro de mim. Mais tarde de ti.
Também não me recordo de como voltámos a sentir o que quer que seja que sentíamos, a meio de 2009. Depois de outros amores, meus e teus, que ficaram para trás. Mas lembro-me exactamente do local e do momento em que trocámos o primeiro beijo. Lembro-me de como não seguimos em frente, de como não quiseste seguir em frente. Nessa altura já éramos crescidos ao ponto de o destino nos ter levado a estudar em cidades diferentes e distantes. Lembro-me de como não voltámos a falar do assunto. Lembro-me de como no verão de 2010 'abusaste' insistentemente e de como me pediste desculpa por isso. Afinal não querias que me ligasse a ti e eu disse firmemente que não havia esse risco. Mentira. De ambos os lados. Passámos a ser melhores amigos. A falar dia sim, dia sim. Contávamos tantas coisas, partilhávamos tantos momentos...
Naquele fim-de-semana em Lisboa, já em 2011, fingi que estava a dormir mas sei que colocaste a tua mão sobre a minha. Sei que me abraçaste durante a noite e sei que de manhã me acariciaste os lábios. Fingi que estava a dormir, mas como ia consegui dormir de facto?! A partir daí o catalisador estava a funcionar. No verão a química pôde finalmente dar lugar a gestos e palavras. Lembro-me de te teres deitado ao meu lado na tenda. De te ter voltado as costas já na esperança de que me pedisses para não o fazer. Pediste! Voltei-me para ti, como quem o faz contrariada (tinha de manter a pose, afinal!). Lembro-me exactamente de como foi reencontrar os teus lábios. Lembro-me de tudo o que se passou nessa noite, nos dias e nas semanas seguintes. Da cumplicidade, da sintonia, da entrega, das palavras. O resto pouco interessa neste momento.

E hoje, depois de ver aquela foto, recordei tudo isto... Recordei o H. do 10º ano e a sua pureza. O seu sorriso infantil, a sua cara de criança reguila (que ainda mantém!). A paixão com que se entrega àquilo em que acredita, e com que o transmite a quem o queira ouvir. A jovialidade e o bom-humor sempre presentes. A inteligência e a força de vontade. A beleza, exterior e interior!
Hoje, no dia em que 'cartoláste' e estás praticamente formado, mais do que qualquer outro sentimento, foi orgulho que senti! Um imenso orgulho em ti. E, aconteça o que acontecer, mesmo afastados, mesmo que a nossa história tenha terminado de vez, é isso que vou continuar a sentir. Porque vale a pena conhecer pessoas como tu!
E, como sei que nunca terei a coragem para te dizer tudo isto, fica aqui a minha forma de te dizer parabéns!

2008 - Velhinha, mas das minhas preferidas.


4 comentários:

  1. Antes de mais .. prendinha para ti no meu cantinho =D espero que gostes! =D

    Depois... como fiquei triste ao ler isto!
    Não voltes a não dizer o que sentes... só pk tens medo ou por outro motivo qualquer!!

    Luta pelo que queres! podes vir a ser muito feliz! Agora se calhar podes perder uma oportunidade de ser feliz!

    =) Luta ... sério.. qual o pior que pode acontecer? Ser Feliz? :P

    Beijinho***

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  2. Confesso que imaginei vários cenários, mas nunca pensei que fosse esta a tua "história" com o H. e, sem saber explicar bem como, sinto que a vossa história não acaba aqui :) Palavras muito bonitas. Parabéns ao H..

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  3. Mimi, as coisas nem sempre são tão simples... E é sempre mais fácil pensar em fazer ou dizer do que fazer mesmo. :/

    Amélie, quem me dera que tivesses razão! A ver vamos!:) Obrigada!

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  4. Que texto tão bonito, repleto de emoções. :) Aposto que ele adorou.

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