quarta-feira, abril 25, 2012

Psicologia.

No fim-de-semana passou uma reportagem sobre o desemprego em Psicologia. Nada mais nada menos do que 3000 psicólogos inscritos no Centro de Desemprego. O que penso sobre isso e sobre a forma como este país reage a estas outras crises dava muito pano para mangas, mas não é sobre isso que quero falar.

Estou no quarto ano de Psicologia. E confesso que até há uns tempos atrás, mesmo sabendo que este é um mercado saturado, nunca me propus a pensar muito sobre isso. Acho que todos nós, enquanto estudantes, temos tendência a pensar que connosco vai ser diferente. Há sempre uma esperança mais viçosa.
O facto é que, estando no quarto ano, a realidade começa a aproximar-se e há notícias que já não passam despercebidas. Daqui a pouco mais de um mês vou estar a ter a minha última aula e a saber o meu local de estágio do próximo ano lectivo e isso, claro, deixa-me um tanto ou quanto ansiosa.
Primeiro porque quero estagiar num local onde possa demonstrar o que sei e aprendi, com um bom professor orientador. E segundo porque depois disso, não sei o que virá! Ou, pelo menos, a seguir ao estágio profissional necessário para entrar para a Ordem e exercer.
Mas isto não era coisa que me preocupasse durante a licenciatura. Confesso que entrei em Psicologia 'porque sim'. Não sonhava ser psicóloga desde pequenina. O meu único contacto com a área foi no 12º ano. Mas gostei da disciplina, gostei do professor e coloquei Psicologia como terceira opção na minha candidatura ao Ensino Superior. Durante a licenciatura sempre pensei 'Não há problema, isto é giro, mas se não tiver emprego trabalho noutra coisa'.
Mas o mestrado veio com todo um novo cenário. A questão é que eu adoro, mas adoro mesmo, o que estou a estudar! Tirando uma ou outra excepção, adoro todas as disciplinas e professores. As experiências que vão partilhando connosco inspiram-me, e fazem-me querer aprender cada vez mais. Eu quero saber, quero estudar, quero estar preparada para ajudar efectivamente alguém. Posso dizer que encontrei a minha vocação!
Nunca me imaginei na área clínica, a área por excelência da psicologia. A perturbação mental é algo que me 'fascina', mas com a qual não me sinto minimamente preparada para lidar e, muito menos, para tratar. Já vivo o suficiente com a minha mãe.
Mas, apesar de tudo, foi o facto de ver ao ponto a que alguém pode chegar que me fez querer estar onde estou hoje, que me faz querer trabalhar com idades mais precoces. Porque se conseguirmos intervir, prevenindo ou minimizando factores de risco na infância e na adolescência, teremos adultos mais felizes, mentalmente saudáveis, com estratégias de coping muito mais ajustadas e adaptadas. E isso é a chave para uma sociedade melhor.
Posso estar a ser irrealista, não vou mudar o mundo! Mas mesmo que seja só por uma pessoa já vale a pena!

5 comentários:

  1. Dizem que a nossa missão no mundo é ajudar e ser ajudado. Mantém esse pensamento.

    ResponderEliminar
  2. Eu continuo com aquela sensação de que é estranho ser-se psicólogo. Mas é que é bom! :)

    ResponderEliminar
  3. Infelizmente está mal em todas as áreas... mas as pessoas cada vez mais precisam de psicólogos e psiquiatras. Andam cada vez mais frágeis.

    ResponderEliminar
  4. olá. vim parar ao teu blog através de outro e acabei por descobrir uma colega (ou futura colega). Reconheço esse sentimento de que falas. Desde que entrei no curso que falam do desemprego. E a realidade é mesmo essa. Está muito difícil encontrar empregos na nossa área, ou pelo menos empregos estáveis e com contrato. só se vêm clinicas à procura de psicólogos por poucas horas e a recibos, o que muitas vezes não compensa. E tudo isto porque, realmente, cada ano saem muito, mas muito mais psicólogos das universidades do que seria necessário. Ainda assim, não acho que devas desistir de uma área que te apaixona. Se me permites vou deixar uma ou outra sugestão que gostava de ter ouvido enquanto estudava: se possível, faz voluntariado em diferentes áreas (começa por aquela de que mais gostas, mas se puderes experimenta outras, para teres contacto com diferentes públicos). Os empregadores valorizam quem já teve algum contacto com o público alvo. Podes por ex, ajudar num lar, numa ipss.. não como psi, a fazer o que for necessário. Outra sugestão é fazeres formação. Sei que estás a estudar e a formação é cara, mas se tiveres oportunidade faz cursos práticos, que mais do que teoria, dêem exemplos de como fazer. Em Coimbra há alguns locais com óptimas formações. Última dica (antes que comeces a achar-me uma intrometida): quando escolheres o local de estágio procura saber as perspectivas de continuar nesse local - se é um local onde trabalham outros psis ou não, se tem muitos clientes, se é publico ou privado (nos públicos é mais difícil ficar)... E boa sorte! Se puder ajudar de algum modo, é só mandares mail ;)

    ResponderEliminar