domingo, abril 15, 2012

Sobre o Ensino Superior e as Bolsas de Estudo.

A reportagem que passou há pouco na SIC não deixou, de certeza, ninguém indiferente.
É verdade, e é triste, que tantos jovens vejam os seus sonhos a cair por terra, principalmente num país cada vez mais envelhecido, em que os jovens deviam ter a oportunidade de renovar gerações a todos os sentidos. No entanto, não é sobre questões políticas que quero falar. Por mais fácil que seja dizer "A culpa é do governo!", a verdade é que a culpa é das pessoas! De todas as pessoas que reclamam mas não agem; das pessoas que reclamam por direitos mas à primeira oportunidade fogem ao fisco obrigando os outros a pagar por elas; de todas as pessoas que o país tem de exportar mais e importar menos mas sempre que vão ao supermercado compram produtos espanhóis.
Esta reportagem fez-me sentir uma sortuda. Eu sou bolseira aqui na UC. À excepção do meu primeiro ano em que a bolsa teve um valor mais baixo, todos os anos recebi uma bolsa, que bem planeada, foi suficiente para cobrir todas as despesas. Este ano, enquanto dezenas de bolsas foram cortadas, eu vi a minha aumentar. O meu pai ficou desempregado o ano passado e, por agora, o único rendimento da nossa família é o subsídio de desemprego dele. 
Mas claro que há famílias em condições ainda piores! E é por isso que a reportagem me chocou um bocadinho. No entanto, não podemos deixar de ter sentido crítico. É verdade que os critérios de exclusão estão cada vez mais rígidos, mas penso que, no geral, não são cortadas bolsas a quem, em condições totais de elegibilidade, necessita realmente dela. É preciso ver bem o que está por trás das anulações...incluindo dívidas ou mesmo insucesso escolar (pessoas que recebiam bolsa mas que deixaram de receber porque não faziam cadeiras suficientes...conheço vários casos).

5 comentários:

  1. Tive a sorte de nunca ter precisado de recorrer a bolsa (só à de Erasmus), mas sei que é um tema delicado. Tiveste uma sorte imensa por teres tido um aumento da tua!
    Mas realmente, a sua distribuição tem de ser muito bem pensada e acho muito bem que a retirem àqueles que as recebem e passam o ano metidos nas noites académicas, queimas e noites só porque sim, sem dedicarem qualquer tempo ao estudo.
    Não acho que um bolseiro se deva limitar a estudar e deixar a sua vida passar ao lado, mas há muita gente a querer o mesmo. Quem se esforça deve ser beneficiado e quem se desleixa deve ser penalizado.

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  2. Concordo contigo e senti-me tentada a deixar aqui a minha experiência. Também já fui bolseira da UC. Na verdade, perdi a bolsa este ano por insucesso escolar no meu primeiro ano. Passei uma das piores fases da minha vida quando entrei na Uinversidade. Na altura, além da candidatura à bolsa, fiz também um pedido para alojamento nas residências da UC e só fui colocada [imaginem-se] em Fevereiro. Ou seja, passei o meu primeiro semestre do ensino superior a ir e vir a casa todos os dias. Almoçava na cantina social e gastava dinheiro também no autocarro. O primeiro semestre, devido à mudança, [não] adaptação, stress das viagens e tudo mais, a juntar ao facto de eu estar a detestar o curso e não me conseguir integrar, fizeram com que não conseguisse rendimento escolar na altura dos exames e, só pelos resultados desse semestre, já tinha excedido o limite máximo de ECTS não realizados.
    Concordo com a Pics quando diz que as bolsas devem ser entregues a quem, na verdade, merece [quer por dificuldades económicas, quer por mérito académico]. Mas a verdade é que há quem faça essa vida boémia e gaste muito dinheiro em futilidades e tem bolsa. E, ainda assim, consegue fazer exames e safar-se.
    Também vi a reportagem e Jude, senti-me outra sortuda. Como digo, o meu 1º semestre foi horrível, achei mesmo que ia desistir do curso mas hoje, posso garantir, gosto muito de onde estou e do que estudo. Empenho-me para ter boas notas e dou muito valor ao trabalho dos meus pais que não fazem umas férias há anos porque o dinheiro deles é investimento no meu futuro e no do meu irmão. Há muitas injustiças na entrega e avaliação das bolsas e continuo a achar que há muito "pobre disfarçado"...

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  3. Infelizmente eu sempre recebi a bolsa mínima, só para a propina, não foi grande ajuda. Sorte a tua. :)

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  4. Partilho contigo o meu caso: como viste na reportagem, houve um senhor da Universidade de Lisboa que explicou como as contas são feitas. E criticou o facto de, por exemplo, problemas de saúde de um elemento do agregado não ser tido em conta. Pois foi o meu caso! A bolsa era pequena, porque os meus pais estavam em processo de divorcio. O meu pai não me sustentava, tinhamos cortado relações mas, como ainda contava para o agregado e ele ganha bem, davam-me uma bolsa ridicula. Como se não bastasse, ter um irmão com Trissomia 21 e Cancro nunca entrou para as contas. Como vês, andam a gozar com os estudantes e a elitizar o ensino superior sim. Não se dá suficiente atenção a quem precisa. Porque há sempre casos mais delicados que outros e isso ninguém quer saber.

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  5. Concordo com todas vocês! É verdade que os critérios deles precisam de ser bem redefinidos! Ter em conta outros aspectos além de números. Há pessoas a passar por verdadeiras situações de risco e de carência, e por vezes as pessoas não têm o mínimo de sensibilidade! Um amigo meu, bolseiro, que perdeu a mãe há 2 anos, ouviu este comentário pouco tempo depois, da boca de uma assistente social: "Bem, esta bolsa vai ter que baixar! Agora é menos uma boca a comer!". É triste, muito triste!
    Mas pronto, só queria passar a ideia de que pode funcionar mal, mas às vezes é preciso ter um bocadinho de espírito crítico e saber realmente do que se está a falar. Acredito que há muita gente que se limita a ouvir uma notícia destas e a assumir que já não há casos 'felizes'.

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