domingo, agosto 12, 2012

A páginas tantas...#4


A primeira conclusão que retirei sobre este livro foi "título errado". Sim, fala-se de comida, a trama passa-se maioritariamente num restaurante, mas eu diria que tudo isso é secundário à história. É difícil gostar deste livro. No início quis mesmo deixá-lo de parte após a leitura de alguns capítulos. Mas depois pensei "nem 200 páginas são, faz um esforço". E ainda bem que o fiz. Mas também é difícil gostar da protagonista, ela própria a narradora, que conta a história na primeira pessoa. Não é fácil gostar de alguém de 43 anos que admite não gostar do filho, que trai o marido com um adolescente que viu crescer e que já cometeu tantos erros na vida. Ainda mais quando mantém um discurso melancólico e existencial ao longo das páginas, por vezes até filosófico. Ao contrário das críticas da capa que anunciam a leveza da história, este livro é de drama. Um drama pesado, daqueles que é preciso voltar um pouco atrás e reler para ter a certeza que se percebeu a intensidade do que se transmite. Acaba bem e surpreendentemente mas para esse fim bastaram duas páginas.
É um bom livro, pequeno mas de leitura demorada. Para não variar, deixo-vos uma passagem de uma das várias páginas a que dobrei o canto:

- O Hugo estava furioso. Disse-me que a idiota era eu, que não podia compreender. Que ficara muito traumatizado. E eu, sabe, não consigo suportar isso. Pessoas traumatizadas. Hoje em dia, toda a gente sofre de traumas, não lhe parece? Estou a ser demasiado directa?
(...)
- Eu disse ao Hugo o que pensava. Uma mulher é como um homem. As mulheres também têm um corpo.
Agnés Desarthe, 2006, pp.190-191

1 comentário:

  1. Que engraçado! Li o teu nome e comecei a cantarolar mentalmente a "hey jude", e depois quando vou a entrar no blog era esse o nome :p
    Há livros assim.. que são um verdadeiro conflito. Mas muitas vezes é essa a piada deles.

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