quinta-feira, agosto 09, 2012

"Divertimo-nos os dois, eu e eu."

As pessoas que me vão conhecendo por aqui já se devem ter apercebido da minha faceta de "ah e tal, gosto tanto de estar sozinha!". É verdade e não tento esconder. Por vezes há quem não compreenda! O H. faz sempre questão de me demonstrar a sua incompreensão. Ainda no outro dia soltou um "pfffff" quando, em conversa, eu dizia que adorava morar sozinha. Provavelmente acham que sou anti-social. Ok, não sou a pessoa mais sociável do mundo mas tenho amigos, tenho família, adoro sair e estar com eles. Quando digo que quero morar sozinha é apenas isso. Morar sozinha. Não se trata de estar sozinha todo o dia e nem sequer significa que quero estar sempre sozinha em casa. Tenho amigos e ia adorar preparar-lhes uns belos jantares e serões na minha pequena sala. Não sei se algum dia morarei realmente por minha conta e risco. Posso não ter capacidade financeira, posso até conhecer alguém e, na loucura, juntar trapinhos. Não sei. Mas imagino-me muitas vezes num pequeno apartamento, só meu, com um cãozinho que passearei sempre ao fim do dia e gostava mesmo de concretizar esse cenário, mesmo que por pouco tempo.

E porque é que me lembrei disto agora, perguntam vocês? Porque vem na Visão de hoje uma peça intitulada "O meu agregado sou eu" que retrata, precisamente, as histórias de várias pessoas que optaram por esse estilo de vida, que vivem sozinhas mas que não estão sós, e que são bastante felizes assim. 

É esta sensação de liberdade que mais se destaca no discurso de quem está sozinho em casa. «O conceito de conquista, de libertação, de poder gerir a vida a seu bel-prazer é sistematicamente apontado como crucial» (...).
(...)
O psiquiatra Carlos Amaral Dias distingue as várias razões que levam ao viver só. Umas mais patológicas (...), outras mais saudáveis. Neste caso... «São personalidades muito mais sadias do que aquilo que seria de supor. Têm a capacidade de estar com os outros, de criar vínculos e relações interpessoais, mas isso não é antónimo de um outro prazer que é a capacidade de retirar partido da sua própria solidão. Essa capacidade de estar só retrata do meu ponto de vista as personalidades mais maduras», elogia.
Ou como dizia o escritor António Lobo Antunes, «divertimo-nos muito, eu e eu».
Visão, Nº1014, pp.76-80

Se tiverem interesse e não tiverem oportunidade de ler a revista, hoje à noite vai dar na SIC a versão televisiva da mesma reportagem, no Jornal da Noite.


14 comentários:

  1. Eu por acaso sou o oposto, odeio estar sozinha e de noite então chego a ter medo de estar (sei que já não tenho idade para ter este tipo de medos, mas enfim)... Mas compreendo quem gosta de estar deve ser bom até certo ponto! ;)

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  2. Olá, Jude

    Eu adoro viver sozinha. Eu no meu t1 com a minha gata.
    Também tenho amigos, família e namorado. Mas o meu espaço é o meu espaço e sinto muita necessidade de estar sozinha. Em paz. Para fazer as coisas à minha maneira, no meu ritmo. Por vezes, demasiado acelerado, outras numa calma muito própria. Muitos não entendem, outros concordam plenamente.
    A minha casa é o meu refúgio, construído por mim, com todo o mérito. E dou muito valor a isso.
    Gosto de trazer pessoas para cá, mas na maior parte do tempo sou só eu. E adoro ter essa possibilidade.
    Devias experimentar ;)

    um beijinho,
    JB

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  3. eu costumo dizer que até me dava bem sozinha, mas a verdade é que não! Ainda pra mais com namorado há tantos anos, não me imagino a ter uma casa só pra mim, sem o ter a espalhar as coisas pelos cantos da casa :) Acho que quando temos alguém deixamos muito de parte essa individualidade, não quer dizer que nos anulemos ou não saibamos fazer as coisas sozinhos, mas parece que já não faz sentido estar sozinho quando se pode estar com essa pessoa.

    Adoro estar sozinha, adoro os meus tempos de me, myself and I, de poder andar à vontade, de contar só comigo. Mas isso é bom de vez em quando e por pouco tempo.

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  4. Jovem sonhadora, cada um tem a sua própria forma de ver as coisas. E ainda bem que assim é. E respeito quem prefere estar sempre acompanhado! :)

    JB, gostei muito do teu comentário. Espero um dia poder dizer algo parecido! :)

    M<3, compreendo. Acredito que se algum dia estiver numa relação séria vou mudar um pouco esta visão... Mas por agora estou livre e desimpedida e portanto gostava de ter essa oportunidade, mesmo que fosse só por um tempo. :)

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  5. Eu não me dava sozinha, ficaria triste, mas há gente que é mesmo feliz assim. Tenho de ler.

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  6. Eu tenho exactamente a mesma opinião que tu. Imagino o bom que seria morar sozinha, não só pelo facto de não ter de dar satisfações a ninguém, mas também por me dar tão bem comigo própria. É como tu dizes, se em algum momento me sentisse sozinha teria sempre amigos para me fazerem companhia :)

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  7. Em nenhuma fase da vida quis morar sozinha.. sempre achei que me podia dar qualquer coisinha má e só era encontrada no dia seguinte caída no chão! Ou como diria o meu irmão (numa versão menos trágica): morar sozinho é mau porque é sempre a nossa vez de lavar a loiça! ;P

    Cisca

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  8. Eu também gostava imenso, ter tudo à minha maneira e fazer o que bem me apetecer! Bem bom :)

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  9. Também vi essa reportagem. Ainda com 17 anos morei sozinha durante meio ano, foi uma coisa muito diferente. Não significa que tivesse me sentido sozinha ou sempre bem. Houve momentos e momentos. Como tu. Por agora, prefiro viver acompanhada, talvez com outra idade volte a aproveitar a companhia apenas da minha pessoa

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  10. Não vejo qual é o problema de alguém gostar de estar sozinha. Há pessoas assim, que apreciam o silêncio da sua própria companhia :)
    eu gosto de estar sozinha mas não por muito tempo.

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  11. Já vivi sozinha e tenho saudades! É óptimo não dividir o meu espaço, não me preocupar se faço barulho ou se outros não me deixam dormir. Adoro andar à vontade, sair do duche nua, ser eu, com as minhas manias e caprichos. Mas não significa que seja anti-social. Adoro os meus amigos, amo o meu namorado. Mas o meu espaço é vital.

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  12. E eu tenho descoberto, com o passar do tempo, que quando estou sozinha estou melhor do que, muitas vezes, acompanhada. Tenho descoberto que estar sozinha pode trazer-me muitas vantagens e mais relax.

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