domingo, agosto 05, 2012

Finalmente!

Ele chegou! Passavam uns dois quartos de hora das seis da tarde. A L. estava em minha casa e fez questão de cair, bater com a testa e o nariz no chão e, assim, ficar toda esmurrada para receber o padrinho!:p
Quando ele chegou eu estava com ela e com o R. em casa dele. A mãe dele ( e avó do R.) andava à procura de uma pomada para as nódoas negras da L.. Nós esperávamos no sofá. Além de negra a cachopa ainda estava toda suja de chocolate por causa do bolo que tínhamos estado a fazer. Acho que a mãe nunca mais a deixa comigo!:p
De repente, um alvoroço lá fora. Corro p'ra porta, mas sem muita esperança, afinal passei o dia todo a criar expectativas e a perdê-las. Mas não! O carro estava lá. Ele estava lá. A minha mãe e a minha irmã já estavam lá. Eu gritei "É o J.!". Corri p'ra lá mas depois lembrei-me da L. e voltei p'ra trás para a buscar. Saímos para a rua. Vimo-lo, bem mais magro, a cara e os braços bronzeados. Como é típico da nossa família, apesar da excitação e da emoção de, finalmente, o rever ali à nossa frente, o reencontro foi contido. Podemos estar a explodir por dentro, mas não há cá choros nem abraços apertados. Fazemos de conta que nos vimos ainda na semana passada. Damos beijinhos. Sorrimos com um sorriso aberto. Ele agarra a L., mas ela esperneia - se calhar devia ter começado o treino mais cedo! A mãe dele demora a chegar à rua. Acredito que, quando me ouviu gritar o nome dele, se deixou ficar, por uns momentos, a agradecer ao Deus em que acredita por a viagem ter corrido bem e o filho estar de volta a casa são e salvo. Mãe e filho dão dois beijinhos. Sim, no fundo todos queríamos agarrar uns nos outros e dar um abraço colectivo, mas... Eu tenho a L. ao colo e ainda me agarro à cintura dele com a outra mão. À cintura porque ele é muito alto, muito mais do que eu! A única com expressão de emoções para dar e vender é a minha mãe, como também é habitual! Ofegante, sorri incessantemente e, por fim, abraça-se a ele com força. Ele fica desconfortável. Nós somos assim, fazer o quê?! Sem jeito, lá lhe coloca os braços à volta e diz que ainda ontem se foi embora. A minha mãe solta-o por fim. Cruzamos olhares, todos sorridentes. Ao mesmo tempo, o R., que entretanto se tinha escondido aparece, a correr mais rápido que nunca. Num segundo já está agarrado às pernas do J.. Ele levanta-o ao colo e o R. transfere o abraço das pernas para o pescoço e para os ombros e assim fica. O último a aparecer é o irmão do J. que estava a dormir - também ele tinha chegado há poucas horas de duas semanas em Barcelona. Os manos apertam as mãos, claro! Caminhamos para a entrada de casa. A mãe deles volta ao trabalho que estava a fazer, sentada num banquinho a cortar feijão verde. O R. quer mostrar-lhe como já aprendeu a andar na bicicleta grande. Todos fazemos perguntas, rimos, vamos contando uma ou outra novidade. A L. apercebe-se de quem está ali, talvez por perceber que é ele, e não ela, o centro das atenções, mesmo depois de a termos aplaudido umas quantas vezes durante a tarde por ter feito xixi na sanita e não na roupa. Pergunto-lhe onde está o padrinho. Ela aponta para ele e diz "ali". Fico contente, talvez o treino tenha valido a pena afinal de contas! Ele gosta de ver que ela afinal ainda sabe quem ele é e pega-a ao colo. Ela já não dá luta. Ficamos por ali, felizes. Chegam o pai dele e o meu pai. O pai dele repara que "ele não engordou, não!". Sorriem, contentes, mas só se trocam apertos de mão entre pai e filho e entre tio e sobrinho. Somos assim. Mas e daí?! Somos assim mas compensamos com cuidados especiais. A mãe dele, aposto, preparou o prato favorito. Eu, a L. e o R. passámos a tarde de ontem a fazer bolos para as boas-vindas! Esse é outro aspecto na nossa família - nos momentos importantes nunca falta a boa comida! Daqui a pouco, findo o almoço, juntamo-nos todos aqui em casa. Eu tiro cafés para toda a gente, enceto o bolo de coco e o de chocolate. Vamos estar todos juntos, sem abraços muito apertados nem lágrimas... mas com sorrisos, gargalhadas, brincadeiras e novidades para partilhar. Pode não ser a melhor, mas é a nossa maneira de dizer que nos amamos e que tivemos saudades. E eu gosto assim! :)


4 comentários:

  1. Que bom que ele voltou! A minha família também é assim, nada de muita demonstração de sentimentos!
    Aproveitem bem agora que estão todos juntos! ;)

    Bjinhos

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  2. A família finalmente reunida. Lindo.

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  3. Por aqui é igual. Ás vezes até me custa, mas pronto...são hábitos.

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