quarta-feira, outubro 10, 2012

Crónicas de uma estagiária I

Hoje tive a minha terceira reunião com a coordenadora de estágio/tese. Como, das quatro alunas que partilham a orientadora, eu sou a única que ainda não iniciou o estágio, tenho estado ali mais como uma espectadora. A semana passada foram quase três horas de reunião, hoje pouco faltou para completar as cinco. Para a semana, em que, espero, também já vou ter experiências para partilhar, acho que vamos ter de tirar o dia inteiro para reunir! 
Ainda assim gosto bastante de lá estar. Vou sempre aprendendo com aquilo que as colegas contam dos seus estágios e já vou ficando com uma ideia daquilo com que posso contar, apesar de estarmos todas em locais diferentes. Além disso, uma das vantagens de ter tido um papel mais passivo até agora, é que posso observar cada uma delas, a forma como estão a encarar esta fase e a postura que mais gostaria de adoptar para mim.

A A. é, claramente, a mais competente! Dá gosto ouvi-la falar e dá gosto ouvir a forma como tem lidado com os casos que lhe vão aparecendo. É empenhada, responsável e dedicada. Nota-se que quer agir, mas sabe fazer as coisas com peso, conta e medida. O único problema é que acaba por ser pouco sintética quando fala dos alunos que tem acompanhado - relata os detalhes ao pormenor e acabamos por perder imenso tempo a ouvi-la. Ainda assim aposto que este ano fará um percurso brilhante.

A F. está a revelar-se uma boa surpresa. Acho que há ali muito potencial que pode ser desenvolvido e estimulado, apesar de ainda estar um pouco tímido. É um bocadinho popstar para o meu gosto, com aquelas roupas, e os acessórios e o blush em demasia, mas acho que vai acabar por surpreender em relação à competência.

A C. é a mais velha das quatro. É muito efusiva. Já a semana passada tinha reparado na forma como tem sede de intervir e de mudar o que está mal, mas penso que está a utilizar a estratégia errada. Acho que, para sermos boas profissionais, temos de marcar a nossa posição com argumentos válidos, com um discurso articulado e adaptado ao contexto, sob pena de não sermos levadas a sério ou de entrarmos em conflito com outras entidades. A C. utiliza expressões de calão no meio da conversa, eleva o tom de voz, exalta-se... e isso não é admissível a este nível. Hoje acabou por ser "repreendida" pela professora, que lhe chamou a a tenção para a necessidade de utilizar uma linguagem técnica e adequada. Defendeu-se dizendo que não costumava falar assim, que só o estava a fazer porque estava a falar com ela, e recebeu um "mas eu não sou sua amiga e nós não estamos no café". Começou a chorar, mas a meu ver este comentário foi merecido. Não nos podemos esquecer que ela é nossa superior e que, apesar da maior abertura que podemos ter com ela, esta é uma relação de trabalho e nada mais. Há que haver uma adaptação de ambas as partes e, acima de tudo, pragmatismo, competência e respeito.

Para a semana começo eu e, para já, só espero não (me) desiludir com a minha prestação.

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