domingo, novembro 04, 2012

Ontem senti-me mal. Não é nada comum em mim e talvez tenha sido por isso que acabei por me preocupar (se calhar mais do que devia). A verdade é que, desde o que se passou com a S. em Janeiro, tenho uma maior tendência para panicar. Então, quando, já nas últimas horas da formação comecei a sentir o braço dormente e tonturas, tudo o que vinha à ideia eras AVC's e mortes súbitas. Por momentos deixei de conseguir respirar, mas pelo menos tive o discernimento de concluir que esse sintoma estava mais relacionado com o "pânico" do que com o formigueiro e as tonturas e, psicóloga que se preze, não se dá ao luxo de ter ataques de pânico ou de ansiedade, era o que faltava! Acalmei-me, respirei e aguentei. Ninguém à minha volta deu por nada. Mas a dormência não passou, alastrou-se até, e as tonturas iam dando um ar da sua graça. Tentei sempre pensar que não era nada e que passava, mas a verdade é que as coisas não acontecem só aos outros, e a S. não me saía da cabeça. Pedi à F. para ir comigo às urgências, a senhora da recepção não percebe bem o conceito de urgência e portanto não estava a perceber porque é que as pessoas apareciam lá todas enquanto ela estava sozinha no atendimento e vez de irem à tarde quando tinha mais duas companheiras a fazer o mesmo complicadíssimo serviço!
Pulseira no pulso e, não tivesse ela um "Urgente", poderia bem parecer que estive num festival de música! Fui atendida, e bem atendida, diga-se de passagem. Primeiro pela enfermeira, depois pela médica geral e depois pela neurologista. Tensão e febre medidas, reflexos testados de formas que eu nunca pensei que se testassem, uma TAC à cabeça e estava tudo normal (Ufa! Não estou a morrer!).
Quando me encaminharam para a neurologia eu já sabia, mesmo sem me dizerem, qual era o diagnóstico, porque é o diagnóstico que deve ser dado à maioria das pessoas que por lá passam (sem querer pôr em causa a competência dos profissionais) - ansiedade. Saí de lá com uma receita de ansiolíticos, pois claro. E dos fortes, diz que são usados para perturbação de pânico e agorafobia. Não faço tenção sequer de levantar a receita, quanto mais de os tomar... Se é ansiedade de que padeço e se tudo isto não é mais que psicossomática, pois sou bem capaz de lidar com ela cara-a-cara, não preciso que uns comprimidos quaisquer, que causam mais efeitos secundários do que melhoras, o façam por mim e me impeçam de lidar com a realidade com as competências que tenho, e que, se não tenho, hei-de adquirir!

O que as pessoas insistem em não perceber é que esses pequeninos miraculosos as fazem sentir-se melhor mas não eliminam a causa do mau-estar. Fazem simplesmente com que andem num estado de tal forma adormecido que deixem de se preocupar com ele. E depois, das duas uma, ou tomam aquilo durante um período indeterminado de tempo, ou deixam de tomar e percebem que adiaram o problema durante semanas ou meses. Só que, quando deixam de tomar e percebem que ele continua lá, o mais fácil é voltar aos comprimidos. Ao menos não têm de se preocupar, não têm de se esforçar para resolver nada. É só pegar num copo de água para ajudar a engolir. E eu não preciso disso para mim, obrigada!

9 comentários:

  1. Acho absolutamente de louvar a tua atitude de rejeição aos medicamentos e concordo em absoluto com essa ideia de que só "camuflam" os problemas. Espero que já estejas bem! Um beijinho!

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  2. Ainda bem que não era nada de grave e que já estas bem, afinal toda a gente tem ataques de ansiedade é normal no ser humano! Fazes muito bem em não tomar os comprimidos, por vezes os comprimidos (fora em caso de infecções) ainda fazem com que as pessoas fiquem piores! Agora é teres mais calma e tentar não panicar! Bjinhos***

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  3. Podes ter tido algum ataque de pânico,que se traduz em faltas de ar, tonturas e afins. De facto essa dormência não se enquadra muito bem no esquema e diga-se de passagem, fazerem-te uma TAC foi desde já exceptinal visto que normalmente estados como os teus nem são considerados urgentes e as pessoas são enviadas para casa.
    Uma vez que és psicóloga sabes tão bem quanto eu que uma situação de stress pode desencadear sintomas que associamos a outras pessoas e como ficaste em ansiedade e pensaste no caso da tua amiga, automaticamente o teu cérebro pode ter começado a percepcionar os sintomas que conheces de antemão.
    Vou dar um exemplo prático e até cómico (para descomprimirmos um bocado) que é o caso quando achamos que estamos com o período em atraso e podemos ter engravidado, começamos logo a sentir as mamas estranhas, obstipadas, naúseadas o que ciclicamente associado à ansiedade do período não vir, ainda faz com que ele se atrase mais.
    No final disto tudo, ainda bem que não tens nada de pior e quanto a essa ansiedade terás que a saber gerir o melhor que conseguires e souberes e aproveito para te dizer que estou a 100% de acordo com a tua opinião sobre os ansiolíticos!
    Bisous**

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  4. Querida mas se foi pânico e ansiedade tens de tratar disso, pode não ser com comprimidos, mas tens de pedir ajuda para esse problema não te condicionar a tua vida..

    kisses***

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  5. tens que arranjar maneira de tratar dissoe ntão de outra forma :)

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  6. Eu já tive um ataque de ansiedade e sei bem o horror que é... parece mesmo que vamos morrer! Claro que também fui às urgências.
    Graças a Deus que nunca se tornou a repetir (o meu estilo de vida também mudou), por isso não fiques muito nervosa, se fizeres tudo direitinho o episódio não se repete.

    Beijinhos e as melhoras!

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  7. Ainda bem que tudo não passou de um "susto".. Quanto aos comprimidos, partilho exactamente a mesma opinião. Só os tomo quando estou quase a "morrer".. O que é muito raro ;). Um grande beijinho e "take care of yourself"! ;)

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  8. espero que estejas melhor. felizmente nunca tive nada disso, mas se calhar é sinal de que tens de mudar alguma coisa na tua vida...

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  9. Deve ser do stress. Houve uma altura que estudava, tinha apresentações, exames e trabalhava... ia 3 e 4x parar as urgencias com tremedeiras, suores...

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