sábado, dezembro 22, 2012

sorting out feelings.

No tempo que por aqui não estive aproveitei para colocar uma série de coisas em ordem. O problema dessas coisas prende-se com o facto de não serem palpáveis, não eram documentos para organizar nem objectos para arrumar de uma qualquer forma pseudo-ordenada. Essas coisas eram pessoas, relações, assuntos pendentes que, por serem desconfortáveis, optei por ir colocando por baixo do tapete. Só que, a certa altura, era já impossível continuar a ignorá-los. Foi por isso que senti necessidade de parar um pouco. Precisava de organizar a minha vida como se de uma estante se tratasse, definir prioridades. Tive de perceber que não podia lidar com tudo ao mesmo tempo porque já não estava a fazer nada bem.
Foi por isso que comecei por despachar o trabalho que tinha em mãos. O estágio e a tese têm provado que o quinto ano não é para meninos. Entreguei os capítulos que tinha de entregar do relatório de estágio, contando com os conselhos de uma pessoa excepcional. Num fim-de-semana passado com amigdalite e 39º de febre, esforcei-me por redigir uma espécie de projecto de tese que, no fim de contas, acabou por ser bastante elogiado pela orientadora (ainda assim, continuo a achar que, cada vez que elogia o meu trabalho, não passa de uma estratégia de condicionamento - ser psicólogo num mundo de psicólogos torna-nos um tanto ou quanto desconfiados, I guess...). A verdade é que não me sinto minimamente entusiasmada com o trabalho de investigação e, por mim, dedicava-me inteiramente ao estágio. Aliás, quase que poderia dizer que o meu interesse pelos dois é inversamente proporcional. Com o passar das semanas tenho vindo a gostar cada vez mais do que faço. Mesmo sabendo que não é o local perfeito, há pormenores que me fazem querer fazer aquilo para toda a vida. Gosto das crianças, gosto da minha colega, gosto das orientadoras, gosto das minhas tarefas... à excepção das reuniões de final de período a que tive de assistir às 8h30 da manhã (até porque me mostraram como é que os alunos são tratados pelos professores enquanto estes os reduzem a uma nota final e não gostei de saber que também já houve professores a fazer o mesmo comigo!). Sinto-me útil e, sobretudo, sinto que estou a aprender mais do que em qualquer um dos anos anteriores e isso dá-me vontade de continuar.

Ter o trabalho todo pronto foi meio caminho andado para redefinir uma série de outros assuntos que pairavam à minha volta mas, sobre isso, escreverei mais tarde porque será também uma forma de os colocar na gaveta de vez.

6 comentários:

  1. Fico feliz por saber que a tua vida já está mais bem resolvida! Ainda bem que estás a gostar do estágio e que tens a certeza que é isso que queres fazer, é sinal que escolheste o curso certo! Quanto à investigação depois de a começares a fazer a fundo vais ver que vais gostar, é sempre bom ver os resultados finais! Bjinhos***

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  2. Às vezes é bem necessário fazer uma pausa e organizar as ideias. Só assim conseguimos seguir em frente da melhor maneira, sem deixar assuntos pendentes.

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  3. Um blog ajuda muito nisso! Expressar, deitar tudo para aquele espaço, receber conselhos, exorciza muita coisa e alivia.

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  4. Ainda bem que estás de volta! ;)

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  5. Às vezes é preciso arrumar as coisas cá dentro de nós para conseguirmos dar continuidade à nossa vida! Ainda bem que o conseguiste fazer!

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  6. "Sinto-me útil" - acho que isto resume, de forma muito breve, das maiores conquistas que podes ter no teu ano de estágio. Não te esqueças disto e desta sensação. De resto devo confessar que a mim ajudou-me bastante ter adiantado a tese no 4º ano.

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