sábado, dezembro 29, 2012

sorting out feelings.

Se por acaso este post vos parecer vindo do Shiuuu eu até entendo. Podia até enviar para lá um email a referir este assunto mas, uma vez que me tenho esforçado tanto para o manter em segredo, começo a achar que, se não o partilhar com alguém, vou ficar com recalcamentos sérios, psicanalitacamente falando. Por outro lado, poderão também pensar que se enganaram no blog e que estão a ler as palavras de uma adolescente de quinze anos... mas atentem nas horas que são e perdoem-me a lamechice. Prometo que não se repetirá muito mais vezes!

Há meses que, sempre que me perguntam sobre ele, eu vou dizendo que já passou, que cada um tem a sua vida e que é melhor assim. Cansei-me de falar sempre do mesmo, de bater constantemente na mesma tecla e, a pouco e pouco, fui deixando passar a ideia de que o sentimento se tinha extinguido. A verdade é que eu própria pensei que isso se tinha passado. Quando conheci o A. permiti-me sentir borboletas na barriga por outro alguém além do H. e soube-me bem! Senti que talvez as coisas se estivessem a compor e, durante esse período, o H. foi passando para segundo plano. No entanto, a distância do A. foi desvanecendo aquilo a que chamei empatia à primeira vista e fui percebendo que não era ele a primeira pessoa a que queria contar o meu dia quando chegava a casa. Essa pessoa continuava a ser o H. e eu continuei a esforçar-me por não deixar transparecer mais do que amizade que devia sentir por ele.
Sabem, é demasiado difícil interpretá-lo e, às vezes, penso que estou simplesmente a fazer um papel ridículo... Afinal, vai para mais de um ano que tudo aconteceu e, desde então, não se pode dizer que haja mais do que uma amizade normal. Dou por mim a pensar se, quando me parece que há algo mais, não estarei apenas a ver o que quero ver. Há uns meses para cá ele passou a ligar-me várias vezes e passávamos horas ao telefone... primeiro ligava apenas enquanto fazia alguma viajem, normalmente aos fins-de-semana, quando ia e regressava de casa, para passar o tempo. Depois, passou a ligar também à noite, no fim do dia de estágio. Nesses dias as conversas terminavam quando os bocejos de sono já eram demasiado evidentes. Falávamos de tudo. De como tinham corrido os nosso dias, das pessoas e das coisas à nossa volta, de patetices e de coisas sérias, dos relacionamentos dos nossos amigos, nunca dos nossos. Esse é um tópico sagrado porque nunca, mas mesmo nunca, perguntámos um ao outro como estávamos em questões amorosas. Sei que, do nosso grupo de amigos, para além do B., eu era a única pessoa para quem ele ligava.
Há cerca de um mês, uma dessas chamadas começou com um "Estava com saudades tuas"... e eu não lhe retribui. Não me senti segura para o fazer, mesmo desejando ouvir a voz dele no final de cada dia. Não me senti segura porque não o consigo interpretar, porque tenho medo de estar a entender tudo errado... Sei que há vários sinais, mas não consigo avaliar a verdadeira evidência de cada um deles. Os beijos na testa e no cabelo que me dá para me cumprimentar, ao invés dos dois beijos que dá a todas as outras, serão apenas um sinal de carinho? A forma como me abraçou pelas costas, no final da madrugada do meu aniversário, é a mesma forma como abraça todas as outras amigas? Porque é que depois de, há mais de um ano atrás, me ter convencido que não podíamos continuar juntos porque relações à distância não resultam, vem com uma visão diferente do assunto e me diz que, se se realmente quiser, consegue-se? E porque raio veio com essa conversa poucas semanas antes de partir para outro país? 
Por mais que queira interpretar tudo isto "a meu favor", tenho demasiadas dúvidas e inseguranças... afinal porque haveria ele de gostar de mim? Mas já gostou, não já? Então porque não?
A verdade é que sou tonta o suficiente para continuar a acreditar que, um dia, ficaremos juntos, simplesmente porque é assim que tem de ser, porque aquilo que éramos juntos era bom demais para não continuar a ser vivido. Por mais parva que seja, continuo a achar que somos as pessoas certas no tempo errado... E houve alguém que me disse que a pessoa certa no tempo errado não deixa de ser a pessoa errada, mas eu continuo a não acreditar em tais palavras. É ele que desperta em mim o meu lado mais feminino, mais romântico e sentimental, e eu, que gosto de manter a minha postura de coração de pedra, não me importo que ele o faça, apenas porque é ele. Eu calhei-lhe como amiga secreta e ele ofereceu-me um almofada em forma de mão, para eu colar debaixo da minha face à noite... eu queria ter-lhe retribuído com beijos apaixonados. Nos próximos quatro meses ele vai estar demasiado longe e resta-me a imagem que guardei dele no momento em que nos despedimos. Irrita-me não ter a certeza de que o olhar que trocámos quis dizer o mesmo para os dois, por mais que, no meu íntimo, tenha essa certeza e tenha sentido que ele me quis dizer o mesmo que lhe quis dizer a ele. Quero imenso acreditar na minha intuição, mas também tenho medo de estragar tudo com expectativas baseadas em emoções.




13 comentários:

  1. que situação.. mas pelo que descreveste se calhar da parte dele também não é só amizade.. e acredita que existem relações à distância felizes..

    kisses***

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  2. Acho que o sentimento dele é o mesmo que o teu. Mas se calhar também se sente inseguro, tal como tu. Digo isto por aquilo que descreves. Contudo, acho que só o tempo o dirá...

    Beijinho ***

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  3. Normalmente a resposta mais simples é a mais acertada. Mas um tipo que goste a sério de uma rapariga vai fazer de tudo para a ter ao seu lado a menos que ela lhe dê muito para trás. E sinceramente, não conheço muitos rapazes que digam a muitas raparigas que têm saudades delas!

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  4. Oh querida Jude, é uma situação complicada, só o tempo irá dar as respostas. Só te digo que não queria estar assim como tu, que vocês consigam realmente ficar juntos! Vá e agora que desabafaste tudo espero que estejas melhor.

    beijinho

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  5. Ai!!! Não entendo a mania que as pessoas têm de ficar no impasse como se isso fosse alguma zona de conforto! Moça, vale mais ouvir um "não te quero mais" do que um "vou pensar, se calhar, talvez...". Vais ficar cheia se "e se" dentro de ti? Falem directamente, coloca-lhe as tuas duvidas, abre-lhe o coração. A sinceridade é sempre o melhor caminho e o mais apaziguador. Eu tenho o coração na boca, tudo o que me surge, falo! Sê assim, não te martirizes, dá uma resposta a ti mesma.

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  6. No meio de tudo, não saber o que somos e pensar em tudo o que fomos, o que podemos ser ou poderíamos ter sido juntos é algo que nos deixará sempre de cara triste! Que encontres as respostas de que precisas e que a vida não te troque as perguntas! Beijinho*

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  7. Sinceramente não sou a pessoa mais indicada para falar sobre este assunto, pois há algum tempo que deixei de acreditar em histórias encantadas...resta-me desejar-te boa sorte e que tudo corra como tanto sonhas!!

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  8. obrigada querida, para ti também :D

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  9. as relações à distância resultam.

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  10. Acho que apenas o tempo te dará as respostas que tanto precisas. Até lá, é aguentar firme :)

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  11. Eu concordo com a Raven. Acho que isso é o que falta: tirares as tuas dúvidas e apaziguares o coração. Ach0 que da parte dele não pode haver apenas e só amizade... E quando já houve um passado, alguma coisa há-de ficar! Acredito que aí há sentimentos que, como dizes, não podem nem devem ser recalcados. Acredito que há amores que sobrevivem a quaisquer obstáculos e acredito que a vida te vai abrir os caminhos para chegares lá - ao lado certo. Força Jude :)

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  12. Ai Jude, Jude... É tramado sentir-se tudo isso e não saber com o que se conta... mas, normalmente, e por mais que te tentem convencer do contrário, do outro lado o sentimento é igual... Não percas a oportunidade de arriscar... As pessoas certas no tempo errado... acabam sempre por encontrar um tempo certo... ou, pelo menos, o tempo para ter certeza de que não eram assim tão certas ;)

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  13. Obrigada pelas palavras, queridas! :)

    Raven e Pam... Acho que nunca serei capaz disso. Primeiro que tudo há uma amizade e um grupo comum de amigos em jogo. Não posso por tudo em causa por causa de uma ou duas suspeitas.

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