sexta-feira, abril 19, 2013

Crónicas de uma estagiária XVI

Escrevo este post da biblioteca da minha antiga escola secundária. É a terceira semana seguida que cá venho passar a sexta-feira, entre passar consentimentos e questionários e esperar aqui pelo horário da próxima aula. Fazer uma tese dá trabalho...
A minha antiga escola não é tão antiga assim desde que foi completamente remodelada e não se parece nada com a escola onde andei, mas antes com a escola onde foram rodadas as filmagens dos Morangos com Açúcar. Na primeira semana dei por mim no pavilhão onde tive aulas. No início não o reconheci, mas há detalhes que a remodelação não conseguiu apagar e, de repente, senti a nostalgia de todos os momentos ali passados, entre as aulas e os intervalos. Recordei-me naquele spot do corredor, onde ficávamos sempre na conversa, naquele canteiro, que já não existe, onde o açoriano grafitou o meu nome, agora apagado. Vou-me cruzando com caras desconhecidas e, de cada vez que vejo um daqueles casalinhos animados pela primavera, lembro-me irremediavelmente do J.. Confesso que sinto um bocadinho de vergonha por também termos sido assim. Eu... naquelas figuras! Oh Deus! Mas acho que faz parte e, por mais que mudemos, não nos devemos deixar esquecer do que já fomos e do que já fizemos... 
Depois de três semanas, posso afirmar com segurança, que somos melhor recebidos com antigos-alunos-quase-doutores, do que enquanto simples alunos... Isso parece-me um bocadinho paradoxal e injusto e apetece-me virar a cara a pessoas que agora são todas sorrizinhos e me perguntam estás por cá? e como vai o curso? como se antigamente tivessem tido algum interesse em mim. É engraçado voltar aqui depois de quase cinco anos mas, mesmo assim, acho que prefiro deixar as memórias onde pertencem. Foram tempos felizes (pelo menos na maior parte do tempo), mas não tanto como os que tenho agora...


1 comentário:

  1. Ainda não tive oportunidade de visitar quer o ciclo quer o liceu onde estudei. Agora estão ambos todos remodelados e pipis, quais cenários de uma novela juvenil como referiste, mas antes eram escolas normais, onde eu fui muito feliz também. Acho que uma parte de nós nunca cresce e volta a ser a criança pequenina e com as mesmas inseguranças, quando voltamos a estes lugares do nosso passado. Mas é mesmo bom que assim seja: passado. significa que estamos a crescer e a queimar etapas, que é o que se quer :)

    ResponderEliminar