quinta-feira, setembro 12, 2013

sorting out feelings.

Ainda que só amanhã possa dizer, oficialmente, que sou mestre, tenho ocupado os últimos dias a procurar entidades em que possa realizar estágio e já enviei alguns currículos, além daquele que fui entregar pessoalmente. Ainda não falei aqui disto porque a verdade é que não quero criar expectativas demasiado elevadas, mas há uma coisa que, apesar de ser boa para mim, está a condicionar um pouco a minha procura. A minha orientadora propôs-me que arranjasse um estágio relativamente perto de Coimbra para, assim, podermos trabalhar juntas ao longo deste novo ano lectivo em vários artigos e num projecto de doutoramento para mim. Confesso que a ideia me deixa entusiasmada. A tese e a investigação foi uma tarefa que me deu prazer. Até com o SPSS, que é o bicho-papão de praticamente todos os estudantes de Psicologia, consegui criar laços bastante amistosos, ao ponto de a minha orientadora me chegar a ligar para tirar dúvidas. O facto de ter tido bastante sucesso com o resultado final, o que, na defesa, me valeu imensos elogios da arguente que tinha "ameaçado" puxar por mim, contribuiu para me dar ainda mais certezas de que, prosseguir para um doutoramento orientado pela mesma professora é um passo que gostava de dar. Ainda assim, e apesar de saber que tenho muitos motivos para me sentir segura e confiante em relação a isso, a verdade é que tenho imenso receio de acabar por a desiludir. A verdade é que nunca me destaquei em nada, nunca fui uma aluna brilhante, nunca fiz nada que tenha valido elogios e destaque. E agora, ver alguém, que não ganha nada com isso, a apostar em mim desta forma, deixa-me ansiosa e, apesar de contente, fico com receio de não corresponder às expectativas que  me estão a ser depositadas. Bem sei que, para já, é apenas um projecto que pode muito bem não ser aceite. Mas e se os artigos que escrever forem maus ou se o projecto não tiver ponta por onde se lhe pegue? Como se estes pensamentos não bastassem para me deixar a bater mal, ainda há esta questão do estágio. O currículo que entreguei no outro dia foi aqui pertinho de casa, o que daria para poupar em despesas de renda, por exemplo, caso me chamassem. Tenho visto algumas (poucas) ofertas para outras zonas, mas bastante mais longe. Para Coimbra, para já, só fiz candidaturas espontâneas uma vez que não encontro propostas. Seja como for, cada vez mais me convenço de que não posso ficar demasiado perto de casa. Por muito que fosse bom conseguir poupar ao longo de um ano, a minha sanidade mental não ia aguentar. Preciso urgentemente de me afastar daqui e recuperar a "independência" que tive ao longo dos últimos 5 anos. Não suporto morar a tempo inteiro com os meus pais que discutem a toda a hora, entre eles e comigo, e que querem satisfações de onde vou, quando vou, como vou, o que vou fazer, com quem... Não há paciência! Preciso urgentemente do meu espaço, em que possa, quanto mais não seja, almoçar e jantar o que me apetece e às horas que me apetece ou, simplesmente, estar no meu quarto uns minutos sozinha sem me chamarem ou perguntarem o que estou a fazer. Cada vez preciso mais disso e, não vislumbrar perspectivas, deixa-me desanimada... mais do que gostaria, porque já sabia que esta não seria uma fase fácil.

8 comentários:

  1. O medo de falhar é grande mas a perspectiva de sucesso é atraente. Vai, atira-te e não penses, que quanto mais raciocinas pior é. Alguém está a apostar em ti, é porque afinal te destacas-te em algo só que a tua auto-estima baixa não to permite ver. Acredita um pouco mais em ti. Ou se não conseguires, permite que outros acreditem em ti e te guiem. Sem medos. Acho que podem estar a abrir-se portas importantes à tua frente e seria crime não entrares.

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    1. Tens toda a razão, Raven! Bem o sei...

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  2. eu concordo com o comentário de cima e além disso tu trabalhaste imenso para chegares onde estas, não deixes que a tua auto-estima estrague as coisas, tu mereces o melhor.

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    1. Obrigada, querida, pelas tuas doces palavras! :)

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  3. Compreendo esse teu receio, mas deves por esses receios de parte e seguir em frente nisso, se é mesmo isso que queres! Até pode não dar certo, esperamos que dê!!, mas oh menos depois podes dizer que tentaste e não te fica aí a martelar na tua consciência como teria sido se tivesses tentado! E se tens alguém que te reconhece valor, é mais um incentivo para tentares!!

    Quanto a quereres novamente viver sozinha compreendo-te perfeitamente ... já não vivo com os meus pais vai fazer 3 anos, ainda que a casa seja nossa, é como se vivesse como tu vivias em Coimbra, mas com a minha irmã como colega de casa :p E verdade seja dita que quando eles vêm ao fim de semana lá vêm os atritos, as pequenas discussões e essas coisas... uma pessoa habitua-se ao seu espaço, às suas rotinas, horários, é normal.

    Beijinho

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    1. Sim, tentar sempre!
      E sim, a família é muito boa, mas às vezes precisamos do nosso espaço!

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  4. Se achas que a investigação é o que realmente gostas, então força e aposta nisso. Se a tese de mestrado foi um sucesso e te sentes à-vontade com o SPSS, então não deves desanimar.

    Entendo-te perfeitamente quanto à parte final do post, a vontade de quereres sair de casa dos pais. Eu ando à procura de estágio desde Janeiro, ainda não consegui nada (também tenho insistido muito em estágios remunerados porque não tenho condições para trabalhar 1 ano de graça :/), está mesmo muito difícil... E estou desde essa altura em casa dos pais, o que tem custado horrores, pois senti-me muito independente nos últimos 5 anos (3 deles até morei sozinha e confesso que adorei ter uma casa só para mim!) e parece que todos os dias dou um passo em direção à loucura. Ter os pais sempre a discutir comigo, a dar ordens, a pedir explicações, e não me compreenderem, a acreditarem que vou ficar aqui em casa para sempre, a quase impedirem-me de namorar, deixa-me completamente esgotada. Há dias em que me sinto completamente desanimada, mas depois lá tenho de arranjar forças sabe-se lá onde. Não é fácil e por isso te compreendo tão bem.
    Espero mesmo que não demores tanto tempo a arranjar estágio como eu, e que a sorte nos sorria às duas.

    Beijinho e desculpa o testamento.
    Força! :)

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    1. Querida Denise, é verdade! É exactamente isso! Espero mesmo que o futuro seja sorridente para nós as duas! :)

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