terça-feira, dezembro 31, 2013

Eu sou cortes... e vocês? Happy New Year, anyway! :)

Texto de Inês Neto para o P3



Chegámos à fase do ano em que todas as conversas passam invariavelmente pela questão: “Então, onde vais passar a passagem de ano?”. A partir deste momento, cuidado! Os holofotes estão apontados e os cães prontos a ser soltos: o julgamento social vai começar. A justiça não perdoa. As pessoas muito menos. Vejamos.

“Vou até Milfontes com um grupo de amigos. Alugámos uma casa, levamos música, uns jogos, etc. Depois da meia-noite, vamos à discoteca ouvir o DJ Puntz Puntz até de manhã.” Parabéns, acabaste de passar no teste! Recebes um sorriso de quem fez a pergunta e um valente “altamente”. Entraste no rol de pessoas que têm uma vida social activa, que são felizes, que são animadas… caramba. A vida sorri-te e tu sorris para ela. Que sorte que tens!

“Vou passar com a família, uma coisa tranquila, não ligo muito à passagem de ano.” Aquele silêncio estranho invade a sala. A resposta é imediata: “anda para Milfontes, vai ser divertido!” O inquisidor tenta salvar-te. Mas tu não queres. “Deixa, não ligo mesmo. Prefiro ter uma noite descansada, até devem vir cá os meus primos”. Holofotes ligados. “Não digas parvoíces, é passagem de ano!

Tens de ir beber um copo!”. Tu não queres mesmo. “Obrigada, mas não me apetece mesmo.” Pronto. Aí vêm os cães. Tu não podes não querer. Ninguém não quer uma passagem de ano cheia de música, pessoas, álcool, confusão. Ninguém! Portanto, parabéns. Conseguiste toda a atenção. Agora, és o chamado “Cortes” que evita os ajuntamentos sociais com pessoas da tua faixa etária. Explicações? És antipático. Não tens amigos. Estás sem dinheiro. Foste despedido. Estás destroçado. Partiram-te o coração. Cuidado. Estás com uma depressão. E o suicídio já aí. Que pena. Até tens bom aspecto. Porque é que haverias de não querer sair na noite mais esperada do ano? Afinal de contas… é épico. A partir da meia-noite, passarás a escrever 2014 na data, em vez de 2013. Até me arrepio. Não percebo porque não tratam com o mesmo entusiasmo a mudança de mês. A mim pelo menos fascina-me e dá-me sempre vontade de celebrar. Aquela passagem de Maio para Junho é qualquer coisa de assombrosa. Assim já teríamos mais 11 noites de festa: as passagens de mês. E no dia 31 de Dezembro festejaríamos a dobrar! Passagem de mês e de ano… Milfontes seria pequeno demais para tamanha festarola. Passagem de semana também seria um bom marco no programa de festas… mais 51 noites de festa.

Esmiuçando a passagem de ano, é isto que fica. O avançar do tempo. Para uns, poderá ser a noite do ano. Aquela pela qual anseiam há meses! Quantos jantares de grupos terão organizado para planear aquela noite? Quantos SMS e “emails” terão trocado para estarem rodeados de amigos e animação? Para eles, esta é “a” noite de festa! Bom para eles.

Enquanto uns festejam como se fosse a última noite das suas vidas, outros optam por reflectir em silêncio. Outros, ainda, podem até ignorar este momento. Mas uma coisa é certa: não somos ninguém para julgar os outros. Meia-noite. É apenas o tempo a passar por nós.

7 comentários:

  1. é exatamente isto. Nunca me apetece fazer grandes festejos, este ano muito menos. mas até parece pecado dizer que se vai ficar por casa na passagem de ano. Feliz 2014!

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  2. Eu também não ligo à passagem de ano, não sou de grandes festejos.
    Um bom ano 2014 para ti querida, muita saúde e sucesso!

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  3. Por alguma razão é uma noite vivida de forma diferente desde que existe civilização, seja essa forma qual for. Olhar para esta noite como se fosse um noite igual às outras é um pensamento um pouco deprimente.

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  4. Eu costumo festejar. Mas claro, há momentos no meio dessa festa toda que paro um pouco e reflito ...

    Um grande ano para ti!! Beijinho

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  5. Sou só eu que vejo a ironia neste texto? A Inês Neto devia aprender ela própria a não julgar os outros.

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  6. Somos duas! A nossa vida muda quando surgem oportunidades ou tomamos iniciativas, não quando muda o calendário. Não comemoro por isso a passagem de ano, é-me indiferente.

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  7. Um texto que podia ter sido escrito por mim. Na mouche!

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