quarta-feira, maio 07, 2014

Ainda sobre o amor e as suas turbulências.

Texto descaradamente retirado do Casal Sem Vergonha e (ainda mais descaradamente) traduzido livremente para português de Portugal.


Quero a delícia de um amor tranquilo

Nunca entendi algumas pessoas na vida. Aquelas que gostam de batatas fritas com gelado. As que preferem a cidade à natureza. As que mandam indirectas no Facebook. Mas se há pessoas que me deixam mais confusa ainda, são aquelas que gostam de amores turbulentos.
Esse tipo de pessoas que são viciadas numa discussão. Que acham o melhor sexo do mundo aquele de reconciliação. Que usam a criatividade para inventar coisas que não existem só pra poderem soltar faíscas. Que têm orgasmos ao ganhar uma discussão. Que vasculham o telemóvel do outro e torcem p'ra encontrar qualquer motivo p'ra implicar. Que têm como desporto preferido atirar coisas à cara da outra pessoa. Que acham que um amor “tranquilo com sabor de fruta mordida” só é bom na voz do Cazuza.
Tu com certeza conheces pessoas assim, ou quem sabe, podes ser uma delas. Não me leves a mal, mas é que sempre tive uma curiosidade enorme em entender como o cérebro destas pessoas funciona. O que motiva estas pessoas a gostarem de relacionamentos nos  quais a guerra impera? Há gente que acha que discutir todos os dias ou todas as semanas é normal. Que acha normal levantar a voz ao outro, ofender a mãe, partir pratos, dizer um monte de barbaridades, e depois ir dormir abraçado em conchinha.
A minha teoria é que essas pessoas são viciadas na adrenalina gerada por uma discussão. São viciadas na sensação de fragilidade e só dão valor quando se lembram de que nada é verdadeiramente seguro. Gostam de ter a sensação de que tudo pode acabar no próximo instante. Se sentem que está tudo  bem, que o mar anda calmo, sem ondas, uma piscina, começam a sentir-se aborrecidas e encontram logo maneira de trazer uma tempestade para mudar os ares.
Assim como não entendo – mas respeito – as pessoas que gostam de batatas fritas com gelado, respeito as que sofrem de abstinência quando ficam muito tempo sem discutir. Cada um sabe a dor e os prazeres de ser quem é, e ainda bem que existe livre arbítrio no mundo. Eu, no entanto, sou da equipa que adora um amor tranquilo.
Sou viciada mesmo é na calma de uma conchinha. Num abraço de bom dia seguido de um “que-bom-que-estás-aqui”. Na saudade mesmo antes de partir. No sexo de amor, e não de reconciliação. Na sensação de te poderes deixar cair com a certeza de que o outro te vai  segurar. No cafuné na cabeça com colo macio depois de um dia áspero. Nas madrugadas de conversa que passam sem se ver – e que só acabam quando o sol te vem lembrar que é hora de dormir. No encaixe dos corpos que só faíscam devido a tanto amor. Na troca de elogios. No descompasso do coração – de paixão, e não de ódio. Na sensação de entregar o coração ao outro e ter certeza de que ele vai cuidar dele tão bem como se fosse o seu. Nas declarações de amor deixadas no espelho. No desafio de se re-apaixonar todos os dias – e ter a certeza de que é possível.
E no fundo acho mesmo que quem diz que gosta de amores turbulentos é porque nunca viveu a delícia de um amor fácil. Porque de guerras, o mundo já está cheio.

2 comentários:

  1. Curioso, é o que mais digo ultimamente: quero a sorte de um amor tranquilo. O último rebentou-me.

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  2. Perfeito ;) e eu roubei de ti! :)

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