quarta-feira, outubro 15, 2014

sorting out feelings.

Uma ex-colega de faculdade, que está também a fazer estágio profissional, escrevia hoje numa rede social a falta de condições que tem para trabalhar. Reclamava pelo facto de estar a fazer um estágio não remunerado, pelo facto de estar a desempenhar funções que não são as que devia desempenhar, pelo facto de não ter sequer um espaço físico, uma secretária que seja, para desempenhar as outras tarefas que lhe vão dando. Além disso, soube anteriormente que é sistematicamente humilhada pelos superiores que lá trabalham, que a tratam com desdém e põe em causa as competências dela. Ora ela reclama, e obviamente tem razões para o fazer. Por momentos, ao ler o cenário que descrevia, quase me senti mal por, numa situação qualitativamente melhor, me ter dignado a reclamar. A questão é que  nenhuma de nós tem de suportar seja o que for que não dignifique o nosso trabalho e a profissão que exercemos. Nem nós nem ninguém, seja de que área for. Só que ela está a suportar. Tem-se sujeitado a isto ao longo de vários meses. De que lhe serve reclamar? Uma coisa é saber que as coisas funcionam mal e marcar uma posição. Fazer alguma coisa para mudar. Outra coisa é saber tudo isso e não fazer nada. É como quem não vai votar mas se chega sempre à frente para reclamar dos governos eleitos. E o pior de tudo? É que quando se sujeitam a condições como estas vão dando mais poder a quem manda. Vão passando a mensagem de que estão à vontade para usar e abusar. E vão fazendo com que quem reclama, mesmo não estando em condições tão degradantes, pareça um mal agradecido que não faz ideia do que a vida custa, tal como as minhas chefes me quiseram fazer acreditar. 

7 comentários:

  1. Acredito que não sejam poucas as pessoas que, por este país fora, se têm que sujeitar a coisas desse género. Essas pessoas acabam por se acomodar, a pressão psicológica acaba por ser uma coisa normal para elas e assim os anos vão passando(até irem parar ao manicómio). Infelizmente, com o desemprego elevado, este tipo de situações não tende a diminuir.

    Já agora, estágios não remunerados (superiores a dois/três meses) deviam ser proibidos, pois a partir dessa duração, passa a ser escravatura.

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    1. Desculpa a minha ignorância mas... Como é que um estágio profissional pode ser não remunerado?

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    2. Um estágio profissional implica um contrato e remuneração.

      A duração de um estágio não remunerado, não pode ser superior a três meses. Depois existem os estágios curriculares, que fazem parte do plano curricular das universidades, que são semestrais ou anuais, e que também podem não ser remunerados.

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    3. A lei diz isso de que falam. O problema é que em Psicologia (não se se noutras áreas acontece o mesmo) é obrigatório fazer um estágio profissional de 12 meses para poder entrar na Ordem dos Psicólogos e exercer a profissão. Sem o estágio o curso não serve de nada. Sendo assim, há entidades que se aproveitam disso para explorarem os recém formados - já que precisam do estágio podemos pedir em troca o que nos apetecer porque eles cedem. No caso desta colega, com certeza ela tem-se submetido à situação como um sacrifício de um ano que lhe dará a cédula profissional. O caso dela, o meu, e o de tantos outros acontece porque os "psicólogos" que gerem esses locais acham mesmo que nos estão a fazer um favor. Já me foi dito por elas que sou uma sortuda por me terem dado esta oportunidade. Enfim... pelo caminho fica a experiência profissional que, de facto, se deveria estar a ganhar!

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  2. O meu estágio é curricular (3 meses). Ainda que não tenha sido o que idealizei, porque o dinheirinho também sabe bem e é preciso, estou a gostar e tenho uma orientadora mesmo simpática e atenciosa. E, claro, é uma oportunidade que tive e que me é importante para currículo e experiência profissional. Mas, como é óbvio, quando o terminar, o objetivo é encontrar um trabalho remunerado, porque isto de trabalhar para "aquecer", como se costuma dizer, neste momento, não é, de todo, a minha aspiração (nem da maioria das pessoas).
    Beijinho

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  3. Parece-me tudo isso inconcebível. Deviam apresentar uma queixa, anônima ou não... Mas deviam. Essa gente não pode continuar a actuar assim nem a abusar dessa forma e passar impune.
    Eu passei por uma situação profissional de abuso (não quero lembrar e tão pouco exponho de tão mau que é) que tive a sorte de alguém se aperceber e de ter denunciado ao tribunal do trabalho. Correu mal, para a entidade em questão.

    Força miúda.
    Beijinho

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