sexta-feira, dezembro 18, 2015

actualização do diário de bordo.

Os dias passam a uma velocidade estonteante. É incrível. E acho que tenho repetido isto de todas as vezes que aqui escrevo. Estamos a poucos dias do Natal, estou a pouquíssimos dias do meu aniversário e um pouco assustada por ser a primeira vez que passo estas datas longe dos que são meus. Aqui não vou ter comigo as pessoas mais importantes pois todos vão passar o Natal a casa. Bem, não todos... mas os mais importantes para mim. De qualquer maneira, estes têm sido dias bons, mesmo que nos últimos tempos tenham existido alguns conflitos com a G., que tem tido uma atitude medíocre com toda a gente. Para não me chatear muito, uma vez que o meu tempo aqui é limitado, opto sempre por não valorizar, prefiro ignorar e fingir que não se passa nada. Não me convém meter-me em confusões e importunar a minha estadia aqui - vou ter tempo para problemas quando chegar a Portugal. Sendo assim, o que tenho feito é tentar aproveitar bem os meus dias.




No fim-de-semana fui com a C. à Polónia. Visitámos Cracóvia e Auschwitz e, apesar de a cidade ser linda e de ter comido muito bem, não apreciei a falta de hospitalidade. Apreciei muito mais a visita aos campos de concentração. Não fiquei propriamente chocada com nada porque tudo o que vi já tinha visto em documentários, mas ouvir as histórias que ali se passaram, histórias que não se sabem nos manuais de História, impressiona bastante! Ver as fotografias das pessoas que ali morreram, os seus pertences, objectos pessoais que nunca retornaram aos seus donos, ver exactamente as condições em que sobreviviam (quando sobreviviam), as salas onde eram torturados de formas inimagináveis... Aprendi muitas coisas que não sabia e isso, para mim, é o melhor que pode acontecer quando se viaja, daí preferir destinos históricos a destinos de praia e festa.


Entrada do Campo de Concentração de Auschwitz.
Foto da minha autoria. 
Pois bem, depois de um fim-de-semana rico, regressei à base, com saudades do meu O., com quem quase não tenho tido tempo a sós. Não estive numa relação por muito tempo e a verdade é que acho que isso me fez muito bem. Aprendi a conhecer-me, a saber exactamente aquilo que quero de alguém, aquilo que mereço, aquilo que valorizo. Aprendi a sentir-me bem e feliz sozinha e, a meu ver, esse é o primeiro passo para se ser feliz a dois - nunca deixem a vossa felicidade depender de outra pessoa. Eu vejo as coisas assim: estar com alguém pressupõe que se é tão ou mais feliz com essa pessoa como se é sozinho. Se uma relação traz stress, ansiedade, problemas, não vale a pena. Ponto. Eu sentia-me muito bem sozinha, escrevi-o aqui várias vezes, pouco tempo antes de ter conhecido o O.. Mas com ele sinto-me também muito feliz, as coisas são muito simples, não há nada de complicado (ok, tirando o facto de que no final de Fevereiro vou à minha vida). Desde a forma natural como as coisas foram acontecendo, até ao momento em que estamos agora, em que já todos sabem que estamos juntos e assumimos para nós também que estamos numa relação, não estamos apenas a ver no que vai dar. Gosto de estar nesta relação e, ao mesmo tempo, gosto de saber que continuo independente. Ambos continuamos. Estamos juntos todos os dias mas sempre rodeados de gente, tentamos ter tempo para estar a sós, mas não deixamos de ter os nossos outros planos, com outras pessoas, sem nos preocuparmos em justificar nada porque fomos criando confiança para isso. Gosto da inteligência dele, do sentido de humor, e do facto de ser mais romântico do que eu. Gosto do facto de passarmos tão naturalmente de momentos de intimidade para momentos de partilha de opiniões e perspectivas de vida. Gosto mesmo das nossas longas conversas e da forma como estamos de acordo em tantas coisas importantes. Gosto, sobretudo, porque é tranquilo!


4 comentários:

  1. Estás numa fase de serenidade e tranquilidade e isso é tão bom!!

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  2. que maravilhoso :)
    (não sei se conseguia visitar um campo de concentração)
    beijinho!

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  3. Eu gostava de visitar campos de concentração para ver como aquilo é mesmo na realidade :o

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  4. Encontrar alguém assim é muito, muito raro...

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