domingo, dezembro 27, 2015

sorting out feelings.

O aniversário e o Natal passaram, tal como nos outros anos, quase sem se dar por isso. Nesse aspecto, o facto de estar longe de casa não alterou nada. Há umas semanas atrás estava certa que esta seria a época mais difícil aqui, por serem datas importantes para mim e por, além de estar afastada geograficamente da minha família e dos meus amigos, ter também os meus amigos aqui a irem embora (os voluntários com quem criei relações mais próximas aqui terminaram os seus projectos este mês e já não voltam e o O. também foi passar o Natal a casa). Mas as coisas acabaram por ser diferentes do que eu esperava e a verdade é que estes foram dias felizes.
No meu aniversário, o O. ainda passou a manhã comigo e à tarde fui tomar café com a minha mentora. Entretanto, o presidente da fundação ligou-me a desejar os parabéns e a perguntar se tinha planos porque queria levar-me a jantar piza com os miúdos da shelter house. Fomos a um dos melhores restaurantes da cidade, gerido por italianos, jantámos piza e tiramisù, ofereceram-me um presente super querido e passámos um bom serão.
A Consoada também foi bastante alegre, especialmente porque aqui não é celebrada como em Portugal. Às músicas de Natal os romenos chamam Colinda e, na Consoada, vai-se colindar. O que significa isso? Vamos a casa de pessoas amigas, cantamos ao entrar, sentamo-nos à mesa, comemos, bebemos, conversamos e, à saída, cantamos novamente. Depois, repetimos a tarefa em todas as casas que visitamos e assim se passa a noite de Natal. O dia foi mais tranquilo, almoçámos cá em casa, tivemos uma mesa mais rica, mas as pessoas não me dizem tanto, por isso foi como um almoço comum. Ao fim do dia estive no centro a trabalhar com os sem-abrigo e, para não deixar cair a tradição, vimos o Sozinho em Casa.
Claro que no meio de todo o rodopio também houve tempo para falar com a minha família pelo telefone e através do Skype. Vi como  se divertiram, contaram-me acerca dos presentes, vi como estavam vestidos com as roupas novas e elegantes e, a verdade é que me senti grata por ter passado o Natal aqui. Não por querer estar longe da minha família, mas porque este ano, apesar da distância, acho que vivi mais o espírito natalício do que em todos os outros anos. Este ano não recebi presentes nem no meu aniversário nem no Natal e não senti falta. Adorei passar os meus anos e a Consoada com aqueles miúdos que estão ali porque as famílias não são famílias. Percebi que, mesmo não  estando com a minha, sou uma sortuda porque tenho uma que se reúne no Natal e todo o ano. Que diz que tem saudades minhas, que mantém o contacto, que me deseja o  melhor do mundo. E sou uma sortuda também porque, mesmo num país que não é o meu, apenas com pessoas que conheço há pouco mais de três meses, não estive sozinha e tive quem se preocupasse e estivesse comigo como se fosse parte da família. Por isso sim, o Natal é sobre presentes e comida deliciosa, mas deve ser, acima de tudo, sobre união, sobre tranquilidade, sobre estar lá para o outro. E isto é um cliché, mas na realidade são poucos os momentos em que o pomos em prática.


4 comentários:

  1. já vi que tiveste um aniversário e um Natal bom, desejo-te continuação de boas festas!

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  2. Ainda bem que correu tudo bem e que te sentiste feliz, isso é o mais importante, sentirmo-nos felizes, seja onde for :)

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  3. :) eu passei o mesmo que tu passaste, eu estava na Grécia no natal e na passagem de de ano! damos valor a coisas que anteriormente não tinham importância.. hoje nao consigo actualizar-me mais no blogue, prometo que amanhã volto! :Dbeijinho Jude

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