quarta-feira, dezembro 09, 2015

sorting out feelings.

Às vezes gosto de acreditar que as coisas acontecem quando têm de acontecer e talvez eu tenha que estar aqui e não onde pertenço (será que é lá que pertenço?). Talvez as coisas se alinhem mesmo para acontecer quando é a altura certa, quando todos os pormenores foram alcançados ou, simplesmente, quando já não é possível de outra maneira porque, às vezes, todas as outras opções parecem ou são erradas. Às vezes também acontece que, tempos mais tarde, se descobre que tudo foi uma grande ilusão e um erro ainda maior. Não sei... é difícil encontrar uma explicação lógica para tudo o que acontece na nossa vida, ainda que acredite firmemente no poder da vontade e das boas acções - pelos outros e por nós. Dar é o primeiro passo quando se quer receber - nisso confio sem reservas nenhumas. Não acredito no rancor, na raiva, no mal-dizer e muito menos na vingança, mas acredito que, a seu tempo, a vida nos devolve o que damos, tanto para o bem como para o mal. Isto pode não fazer sentido mas, neste momento, são as questões que me surgem para tentar explicar uma série de acontecimentos pois, mesmo estando a mais de 3000 km de casa não estou completamente livre dos problemas que por lá surgem. A minha mãe saiu de casa e foi morar com outra pessoa... assim, de um dia para o outro sem ninguém esperar. Não é o facto de ela estar com outra pessoa que  me incomoda. Incomoda-me a forma como tudo se desenrolou. Não soube por ela que ela tinha ido, o meu pai não soube por ela que ela tinha encontrado outro alguém e, por isso, quando ela me perguntou se queria falar com esse alguém a minha resposta foi não. Provavelmente seria não de qualquer maneira porque é assim que funciono. Não dou confiança antes de perceber que a posso dar. E um homem que não conheço de lado nenhum não me inspira confiança, ponto. Além do mais, antes de tudo está o meu pai. Ele nunca me tentou virar contra ela, que foi tudo o que ela soube fazer nos últimos tempos. Ele não finge que os erros só aconteceram de uma das partes, não finge que é perfeito e que tudo o que de negativo aconteceu na vida dele foi culpa dela - ainda que, pensando bem, tenha sido mesmo. O meu pai não é o homem perfeito, nem o marido, nem o pai. Mas depois de tudo é a ela que não consigo admirar, é com ela que só falo porque tem de ser. É minha mãe mas neste momento, como em tantos outros em que passei por tanto à conta dela, não consigo sentir o amor incondicional que deveria. Não é fácil admitir isto e, sobretudo, não é fácil senti-lo, mas não tenho vontade de saber sobre a nova vida dela, não tenho vontade de falar com ela, de partilhar com ela o meu dia-a-dia como fazia até aqui. Desejo-lhe o melhor, mas a verdade é que, apesar de soar egoísta, estou contente por estar longe e não estar a levar com tudo em cima, mais uma vez. É claro que, mesmo à distância, as coisas não deixam de nos afectar, mas sinto-o como algo que está a acontecer em segundo plano e vamos vivendo a nossa vida sem nos deixarmos abalar da mesma forma. Quando regressar esta onda inicial já terá passado e isso é o que me deixa contente no meio disto tudo. 

4 comentários:

  1. Identifiquei imenso quando dizes que "(...) é difícil encontrar uma explicação lógica para tudo o que acontece na nossa vida, ainda que acredite firmemente no poder da vontade e das boas acções - pelos outros e por nós. Dar é o primeiro passo quando se quer receber - nisso confio sem reservas nenhumas. Não acredito no rancor, na raiva, no mal-dizer e muito menos na vingança, mas acredito que, a seu tempo, a vida nos devolve o que damos, tanto para o bem como para o mal." pois também acredito nisso.

    Acho que o que piorou a situação em si foi o facto de a tua mãe ter ido viver com a outra pessoa sem antes falar com quem devia (contigo acima de tudo e com o teu pai se é que eles ainda estavam juntos). Se fosse comigo também não iria falar com a outra pessoa (por que quereria?). Espero que tudo esteja mais ameno quando voltares e que a tua mãe pare de tentar virar-te contra o teu pai.

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  2. Força, força. Nada é por acaso...

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  3. Se precisares desabafar, estou aqui. Pais...muitas vezes os pais somos nós!

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