quarta-feira, março 16, 2016

f***

Entre as coisas mais difíceis de se voltar a viver em casa dos pais (ou do pai) é o facto de se voltar a ter regras e a ter que dar satisfações. Enquanto estudei e trabalhei noutras cidades já notava a diferença mas, vindo a casa todos os fins-de-semana, não era tão notório. Agora, depois de quase seis meses fora, em que só falávamos por telefone/skype de vez em quando e em que só dizia, contava e ligava o que queria e quando queria, a diferença é abismal. Sinto-me completamente enclausurada. E, depois, sou aceite para uma formação de uma semana na Bulgária e o meu pai é incapaz de perceber a importância que isso pode ter no meu CV e na minha carreira. Põe-se a chorar baba e ranho, pede por tudo para que não vá outra vez (mas é só uma semana!!) e ainda me diz que me deixe dessas coisas e que arranje um emprego em que ganhe dinheiro. Ora, isso era tudo o que eu mais queria. Não estou em casa propriamente por prazer e vontade de descansar, principalmente porque ainda não parei sequer para ver um filme. Mas os empregos não andam por aí a cair aos trambolhões e apesar de saber que se quiser sou aceite num supermercado, ainda não estou psicologicamente preparada para me render. Não é justo. Sorte de quem tem pais que incentivam e dão apoio aos sonhos e oportunidades, em vez de os aniquilarem. 


6 comentários:

  1. Senti essa diferença quando deixei de viver sozinha na casa de estudante para voltar para casa. Os primeiros tempos foram complicados, mas depois volta tudo ao normal. Os meus pais, felizmente, são pessoas mesmo descontraídas. Não tenho que pedir nada nem justificar nada. Temos uma boa relação, falamos sobre todas as coisas mas lá está, eu sinto que quero partilhar as coisas e não que sou obrigada. Mas claro que, ainda assim, não dá simplesmente para sair de casa e não dizer nada a ninguém. Claro que há sempre aqueles recadinhos de "vou aqui", "vou ali", "amanhã não janto" e etc que não eram necessários quando vivia sozinha. Mas faz parte.

    A pior coisa de querer voar é ter quem nos prenda as asas. Acho que devias ir apesar de tudo. É a tua vida. Percebo que o teu pai queira que arranjes um emprego, mas não está fácil e, enquanto isso, vais enriquecendo o currículo. Se tens essa oportunidade não a devias desperdiçar. É só uma semana, isso depois passa-lhe.

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  2. bem assim é complicado..
    mas não desistas e enfrenta-os se for preciso..

    beijos***

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  3. Provavelmente o teu pai só teve essa reacção porque teve imensas saudades tuas e agora que estás de volta não te quer longe nem que seja só por uma semana. Fá-lo entender como é importante não só para ti como para o teu CV ires a essa formação. Pessoalmente acho que deverias ir... é uma oportunidade que nunca se sabe até onde te levará.

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  4. SEnti-me assim quando voltei para casa depois de 4 anos na universidade, custou-me tanto! Felizmente, só demorei 3 meses a encontrar o 1ºemprego. Boa sorte!

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  5. Quando tive de tomar a decisão de voltara para casa dos meus pais, pensei que fosse acontecer o mesmo mas felizmente não... Mas entendo aquilo que estás a sentir. Não vejo a hora de voltar a ter um espaço só para mim. Apesar de gostar de morar aqui, sinto que está na hora de voltar a ter a minha casa.

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  6. Tu vai para a Bulgária sff! É só uma semana e o teu pai esta debilitado pela vossa situação familiar. É claro que se sente sozinho e eventualmente coloca em ti os medos que tem sobre a tua mãe, pode pensar que tambem o vais deixar. Mas não cedas. Ela, ainda que inocentemente, irá pressionar-te, chantagear-te emocionalmente mas não podes ceder. Ajuda-o mas equilibrada, respeitando o teu espaço. Ok?

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