terça-feira, abril 05, 2016

da humanidade.

Na semana antes da Páscoa participei num Intra Rail que me levou a vários locais do país, entre eles, Vila Nova de Foz Côa. Nessa noite, eu e alguns dos outros participantes procurávamos um bar para descontrair um pouco e, por sorte, cruzámo-nos com um senhor e com a sua filha, que iniciavam a sua caminhada nocturna, e nos fizeram uma pequena visita guiada aos 4 ou 5 cafés que por lá existem. No meio das perguntas da praxe - de onde éramos, se ainda estudávamos ou já trabalhávamos - comentei com o senhor que tinha chegado há pouco da Roménia. Se por um lado me arrependo sempre de o fazer porque os comentários são sempre os mesmos, por outro naquela situação foi bom tê-lo feito, uma vez que ele me disse que existem imensos romenos de etnia cigana a morar em Foz Côa. Depois de algumas horas resolvemos mudar de bar e apercebi-me, já lá, de duas pessoas que se destacavam pela cor da pele. Dois mais dois são sempre igual a quatro e, sem pensar muito, dirigi-me a um dos homens e perguntei-lhe de que país eram. Quando ele me respondeu que eram romenos a minha euforia não podia ter sido maior. Comecei a falar em romeno (ainda que eles falassem português correctamente), contei-lhes da minha experiência, pedimos ao DJ para por música gypsy... Os dois homens, que não deviam ter mais que trinta e poucos anos, foram super amáveis comigo e, quando perceberam que eu realmente dava uns toques no romeno e que conhecia diversas cidades do país deles, ficaram super entusiasmados. Antes de irem embora abraçaram-me e agradeceram-me por ter sido tão simpática com eles, já que a maioria das pessoas nem sequer lhes fala. O meu coração partiu-se ali, abracei-os e desejei-lhes o melhor. Poucos minutos depois de eles terem saído, vem um rapaz natural da vila "repreender-me" pelo facto de eu ter dado confiança aos ciganos que, nas palavras dele, são "a pior raça à face da Terra" e "má companhia". Apenas lhe perguntei se ele alguma vez se tinha sequer dado ao trabalho de os cumprimentar, de lhes perguntar como estão, ou preocupar-se com a adaptação deles a este país. Obviamente que nunca o fez, nem me conseguiu arranjar nenhum exemplo real e válido de situações em que esses ciganos o tenham prejudicado, ainda que tenha feito questão de me dizer que não passam de ladrões e vigaristas. Ora, não estou aqui a dizer que não há ciganos vigaristas, que há... como os há portugueses ou de outra nacionalidade e etnia qualquer. O que não posso tolerar é que essa ideia seja formada com base em puro preconceito e generalização. Ainda tentei "converter" o rapaz e outro que entretanto se juntou ao debate... expliquei-lhes que enquanto fui eu a estar no país deles nunca me senti discriminada, antes pelo contrário. Que andei pelas ruas sozinha, de autocarro apenas com ciganos à minha volta e nunca me aconteceu nada. Mas em vão, apenas me acusaram de ser uma mini Marisa Matias. Partidismos à parte, apenas me dá pena que devido a mentes fechadas como a destes rapazes, tantas pessoas se sintam estranhas e colocadas de parte num país que as deveria acolher como sendo seus cidadãos. 

3 comentários:

  1. Eu tento evitar os preconceitos. Toda a gente os tens... mas são tão feios e vazios.

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  2. Tento não ter preconceitos, mas de facto por aqui onde moro os romenos não são nada boa rés...já assaltaram diversas casas, andam sempre sujos e a cheirar mal e não querem fazer nada a não ser pedir, roubar e ter filhos (que tem aos montes)...Peço desculpa, mas não consigo gostar dos que por aqui andam!

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  3. Este semana um sem abrigo toxicodependente disse-me que fui a primeira em anos a sorrir-lhe e a olha-lo como se ele "não fosse um coco de cão no passeio". Senti-me triste mas ao mesmo tempo orgulhosa por ser quem sou e poder, sem julgamentos, tocar o coração do proximo.

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