segunda-feira, abril 11, 2016

dramas de pais separados

Normalmente os pais têm sempre mais receio de levarem o divórcio em frente quando os filhos ainda são pequenos. Há sempre medo de que a criança fique traumatizada e a velha história de que só vai crescer feliz e emocionalmente saudável se tiver um pai e uma mãe juntos. Treta. Se os pais souberem ser adultos tudo se resolve e a criança ou crianças vão adaptar-se. Se os pais souberem ser adultos. Não estou a dizer que a criança aceita e reage bem só porque os pais fazem tudo com calma e respeito. Cada caso é um caso e há sempre um primeiro período de reorganização em que se estranha o novo ambiente, mas se a base estiver lá, as coisas correm bem e são todos felizes para sempre. 
Eu e minha irmã crescemos a ouvir discussões feias, faltas de respeito sérias e a pedir aos nossos pais que se divorciassem. É um facto. Não o fizeram até nós sermos crescidas. Isso ajudou? Não. Porque independentemente de nós já sermos adultas, eles não o foram. A minha mãe saiu directamente para viver com outra pessoa, o meu pai só descobriu no dia a seguir. Eu tive a sorte de estar a mais de 3000km de distância mas a minha irmã teve de levar com tudo em cima. A minha mãe saiu e começou a salientar e exagerar todos os defeitos do meu pai. O meu pai ficou e faz um discurso que leva a crer que, até então, tinha vivido com ela um conto de fadas. A culpa é sempre dos dois e os filhos nunca têm culpa mas, quando os pais não sabem ser adultos, tanto faz que os filhos sejam pequenos ou crescidos. Dói igual. A alienação parental é um assunto sério e os filhos são os mais prejudicados. Eu tenho 26 anos e neste momento sinto medo e culpa por dizer ao meu pai que vou visitar a minha mãe e a minha mãe envia para mim os documentos do divórcio como se eu fosse um pombo-correio. Os filhos, principalmente quando já são adultos, já têm os seus próprios problemas para resolver... não têm de resolver os dos pais e nos quais não têm responsabilidade.
No outro dia fui obrigada a levantar a voz ao meu pai (algo que odeio fazer seja com quem for) depois de vários minutos em que ele distorcia completamente tudo o que eu lhe dizia. Gritei-lhe que tenho os meus próprios problemas, que estou em casa "dos pais" quando já devia ter a minha própria morada, que estou sem emprego e sem dinheiro quando já devia ser independente, que deixei a pessoa de quem gostava noutro país e que também me doeu e que, ainda assim, ele não me vê a queixar 24/24, a chorar ou a meter outras pessoas no meio para libertar a minha frustração. E a verdade é esta, nua e crua. Os meus problemas chegam-me e, por muito que eu não queira ser totalmente indisponível e queira ajudar, isso tem que ser feito dentro dos limites que eu decidir e com os quais me comprometer porque, no fim de contas, não foi da minha responsabilidade tudo o que se passou ao longo dos anos e que levou à ruptura de uma relação que devia ter terminado muitos anos antes. Isto é válido para pais quer de miúdos quer de graúdos e a ÚNICA forma de garantir que eles não são realmente afectados, é manter o RESPEITO pela outra pessoa durante TODA a vida porque, independentemente de já não estarem juntos, vão ter sempre um elo de ligação que vai reflectir essa relação.

4 comentários:

  1. Eu acho que todos os divórcios são difíceis, uns mais que outros, é certo, mas sempre difíceis... Acho que em qualquer caso, só o tempo pode ajudar a amenizar a situação. Quando é tudo muito recente, a raiva e a frustração ainda estão à flor da pele e, desta forma, fazem-se e dizem-se coisas irrefletidas... Depois tudo tende a melhorar...Mas eu falo de fora, claro... Mas espero, de coração, que assim seja, e que encontres alguma paz. Com tantos problemas na cabeça nem consegues dedicar-te e estar a cem por cento na busca de um emprego...
    Mas, pensamento positivo! Dá tempo ao tempo e tudo vai melhorar, vais ver. ;) E nos momentos de tensão, conta até dez, inspira e expira várias vezes, e vais ver que te sentes logo outra. ;)

    Beijinhos **

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  2. Ficou tudo dito! As pessoas têm sempre essa desculpa dos filhos, sejam pequenos ou grandes. Não percebem que fazem pior ao expor os filhos a este tipo de comportamentos, discussões, faltas de respeito do que exporiam se simplesmente se divorciassem logo.

    Felizmente os meus pais são felizes e têm uma relação saudável, mas convivo de perto com um casal (com filhos bem crescidos) que permanece junto sabe-se lá porquê. Tantas vezes olho para eles e penso "mas porque é que ainda não se divorciaram? Já ninguém os aguenta!" e tenho pena dos filhos que, apesar de serem crescidos ainda moram com eles, e têm que ouvir coisas que não lembram a ninguém.

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  3. Estou a acompanhar de perto um divórcio que supostamente ia ser amigável, mas não demorou meio ano para as coisas descarrilarem... e há uma criança, e eles esquecem-se disso tantas vezes :( é horrível. Espero que as coisas melhorem por aí. beijinho

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  4. Percebo-te ♥
    Tenta ser imparcial o mais que conseguires, não sirvas de pombo-correio nem de saco de "pancada" de nenhum deles.
    Aprende a virar costas e deixá-los a falar sozinhos. O que eles têm a dizer não é contigo nem para ti.
    beijinho*

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