quinta-feira, junho 30, 2016

do amor.

Uns dias antes de vir estive com uma amiga da faculdade e falávamos sobre as nossas vidas. Uma das coisas que ela me disse, apesar de tão simple, tem-me surgido no pensamento de forma recorrente desde então. Acho que foi porque achei que descreveu tão bem o que é o amor, o que é o compromisso, o que é estar numa verdadeira relação com alguém. E nunca me tinha apercebido de que era "só" isso. O que é que ela me disse? Nada de mais: "O C. começou a ter alguma dificuldade em conciliar o trabalho com o mestrado porque no trabalho estavam a abusar muito dele. Eu não ganho muito, mas disse-lhe que ele devia sair da empresa e que havíamos de conseguir dar a volta por cima". Só isto. Acho que nunca tinha pensado no amor como o acto de assumir as dificuldades do outro como nossas também. Não são os teus nem os meus problemas, são os nossos. Sempre me fez confusão ouvir um elemento do casal a aborrecer-se porque o outro, depois de um dia mau, não está com a melhor disposição. Muitas vezes ouvi alguns deles dizerem coisas como "Não descarregues em mim! Já tenho os meus problemas não preciso de levar também com os teus!". Por algum motivo isto sempre me pareceu muito errado e acho que consigo agora entender melhor porquê. Quando se ama, os problemas da outra pessoa também nos afectam. Não direi exactamente da mesma forma, mas a verdade é uma - é suposto perceber que o outro está a descarregar em nós porque somos nós a sua base segura. É preciso perceber que não é por estar zangado connosco. É preciso perceber que não é para ser levado como algo pessoal. É preciso, apenas, estar lá, dizer o tal "vamos dar a volta por cima" (tu e eu, em conjunto. dá-me a tua mão que eu não a vou largar). E foi enquanto ela me contava aquele pequeno episódio, dentro do carro, no trânsito de Coimbra, que eu percebi exactamente o tipo de amor que quero para mim. Se é que existe mais algum. 

7 comentários:

  1. É isso mesmo, sem tirar nem pôr. Eu também ando a passar uma fase complicada a nível laboral e é bom ouvir, no meio de toda a incerteza e preocupações, que seremos apoiados qualquer que seja a nossa decisão, que o outro está lá para nós. Não tenho dúvida que faria o mesmo por ele, também não espero menos que isso da pessoa com quem partilho a vida há 9 anos.

    Falta-nos muitas vezes esta visão simplista das coisas para as relações darem certo. Não são precisas grandes coisas, grandes gestos, prendas, viagens,... o que é preciso é algo tão simples como a certeza que o outro está lá para nós, nas mais pequenas coisas até às mais difíceis.

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  2. Também acredito que só existe esse tipo de amor. Mas tenho alguma relutância em dá-lo, por saber por experiência que na verdade só podemos contar com nós próprios e que é fácil para os outros descartar-nos.

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  3. É exactamente isto. Não acrescentava uma palavra.

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  4. Só um amor muito forte e seguro é capaz de suportar as mais variadas 'tempestades'. E esses amores são cada vez mais raros. Apesar de concordar, continuo a achar que a nossa base segura devemos ser nós próprios. Antes de assumirmos uma relação com alguém, devemos certificar-nos que essa base está bem sólida e segura para que, caso algo corra mal, podermos ter um chão que nos ampare.

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  5. cá em casa funcionamos assim... só assim faz sentido!

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  6. e vais encontrar. há poucos mas há-os por aí. eu tenho um amor assim. nisso posso dizer que sou feliz.

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  7. Tu sabes o que eu acho não sabes? E acho que esta clarividência apenas com uma frase tão simples como clique faz muita diferença.
    Saudades!
    Beijinho gigante

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