quarta-feira, setembro 14, 2016

sorting out feelings.

Nestes últimos dias têm-me ocorrido algumas daquelas questões a que jamais conseguiremos dar uma resposta certa e definitiva. Tenho-me perguntado qual é o processo que leva a que os sentimentos mudem, não de um momento para o outro, mas gradualmente. Como é que alguém que num momento é-nos tudo, mais tarde é quase um desconhecido. Eu já sei de cor e salteado aquela história do tempo que cura tudo, mas o tempo parece-me uma resposta demasiado rudimentar para algo que acaba por ter um impacto tão grande nas nossas vidas.
Há quase seis meses tinha um sentimento mesmo forte pelo O.. Não sei se seria amor. No que ao amor diz respeito, o que costumo fazer é comparar a intensidade do sentimento e, já agora, do sofrimento, quando acaba. Sendo assim, posso dizer com segurança que senti amor pelo H. e talvez tenha sentido um amor menos intenso pelo O., se é que isso existe. Hoje em dia, contudo, ele pouco mexe comigo. Ainda sinto aquela curiosidade de ir ver o que escreve ou partilha, ainda sinto vontade de falar com ele às vezes (cada vez mais raramente), confesso que ainda fico incomodada com a ideia de outra rapariga na vida dele... mas tenho a perfeita noção que é mais por orgulho ferido do que outra coisa. É estranho... gostei tanto dele e agora há alturas em que nem sequer nos consigo imaginar novamente juntos e consigo fazer uma lista mental cheia de aspectos que me atraem muito pouco nele. O facto de antes estar ansiosa à espera de uma chamada dele e de, agora, ter uma chamada dele e nem sequer fazer muita questão de retribuir, é algo que realmente me intriga.
Do outro lado, temos o H.. Um amor loooongo que sempre vi como "o tal". Na altura tinha a certeza que podia ficar com ele para sempre. Nem sei bem o que nos aconteceu pois, apesar de o sentimento ser mais do que recíproco, lá estava ele, com outra pessoa, ao mesmo tempo que mostrava de tantas formas o que sentia por mim. E foi assim que, mais uma vez com o tempo, o sentimento se foi apaziguando e, acho, se transformou num outro tipo de amor. O H. continua a ser uma das minhas pessoas preferidas no mundo. Das únicas com quem sei que, não importa a gravidade dos nossos debates, vou ficar sempre bem. Foi a pessoa que me deu o abraço mais longo quando voltei para a Roménia, repetiu vezes sem conta as saudades que sente e voltou a abraçar-me quando nos revimos no sábado. O meu carinho por ele é interminável. Talvez porque o amor fosse mesmo verdadeiro, acabei por me adaptar às coisas como elas eram e chegamos ao ponto em que vamos passear só os dois no parque e em que ele me fala sobre a possibilidade de ir viver com a namorada e eu lhe desejo a maior felicidade do mundo. 
Menos intensa, mas intrigante, há também a história com o A.. Conhecemo-nos faz agora quatro anos, a atracção foi recíproca mas nunca mais nos vimos. Porque é que é intrigante? Ainda hoje falamos! Na altura senti logo uma ligação com ele, tínhamos tanto em comum. Ainda devemos ter... E apesar de não morarmos propriamente longe, nunca fiz realmente o esforço para nos encontrarmos. Fomos falando, eu fui-me mudando e isso é uma das únicas coisas em que não nos poderiamos compatibilizar - em quatro anos eu estive sempre a mudar, ele esteve sempre no mesmo sítio. 
São histórias diferentes e sentimentos que evoluíram de forma completamente diferente. Nem sei como colocar as coisas por palavras, mas o nosso cérebro, responsável por estes gostos e desgostos, é uma coisa realmente especial. 

2 comentários:

  1. Acho que são coisas que acabam por se passar internamente e que nem nos damos conta. A importância que damos às coisas, aquele cultivar de memórias ou expetativas, ajuda. Tanto para que amemos alguém (fazendo um esforço consciente para lembrar, para gostar, para estar junto, ver as coisas positivas, imaginar o futuro) como para deixarmos de amar (o mesmo esforço mas em sentido contrário). Nós somos capazes de tudo o que nos convencermos. Conseguimos perfeitamente amar e "desamar" só com esse esforço, eu acho. Claro que há coisas que saem do nosso controlo mas isso é porque nós deixamos de querer controlar. Sei que é uma visão pouco romântica da coisa, mas acho que funciona assim para muitas pessoas. E depois a vida muda, as pessoas desencontram-se, há trabalho, vidas diferentes, emigrações, outros problemas, e aquela atenção exclusiva, aquele cultivar dos sentimentos, acaba por ficar mais para trás e desaparecem, eventualmente.

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